Outubro 2014... O RIO ITANHÉM


Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM I... Há um rio que tem tudo a ver conosco, em ligações estreitas; o rio Itanhém, “Prato de Pedra” para os nativos; graças a ele “os pioneiros” chegaram à região que hoje está Teixeira de Freitas, graças a ele vinham atraídos por sua pujança e atrativos. Em sua longínqua história muito bem contada em graça, o rio supria falta de estradas que cruzassem a imensa e rica região, supria a ausência dos caminhos até a região de Alcobaça; importante e progressista cidade da nossa vizinhança, do nosso chão. Por volta de 1817, naquela difícil ocasião; quando o príncipe Maximiliano, da Alemanha, veio aos nossos pisos; navegava por este nosso formoso rio anfitrião; observou a presença de nativos, a riqueza natural da região e negros escravizados festeiros trabalhando como canoeiros. Desde o início, o rio tem sido nosso belíssimo cartão postal; tem sido também os melhores caminhos para chegar a nós; nos apresentando aos trazidos por Cabral; nos dando acesso ao mundo logo após.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM II... Na carta topográfica do Mucuri e além; mapa de 1859 em seus dias; registros que mostram a região do vale do Itanhém; naquele final de década arredia. Informa ela, que, onde hoje está a cidade de Teixeira; não havia, “trelas” nativos habitando em clareiras. Há, também, registros naquele mapa; de algumas tribos ao longo do rio; na altura das terras mineiras “in lapa”; informações completas com pouco perfil. A carta topográfica que, a região, abraça, gravura o conteúdo de seus registros; o rio é identificado pelo seu topônimo Alcobaça; um território de riquezas e sinistros. Até a década de 1950; andar ou chegar ao território que hoje é Teixeira de Freitas; era uma tarefa difícil e demorenta; eram espaços fechados, um mata muito estreita. Coberta pela floresta atlântica frondosa; matas e brejos que se faziam tapumes; só era possível alcançar o vale através de trilhas perigosas; por dentre as brenhas e os cumes; ou, melhor, pelas águas navegáveis e receosas; dos aprumes, no nosso rio Itanhém.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM III... Não muito tempo atrás, pelas décadas da primeira parte do século passado; navegação era á primeira e principal opção dos moradores das pequenas comunidades rurais em nossa região; o rio era como muleta boa, a ajuda mais fluente disponível para qualquer pessoa; o rio era a estrada em plano, na falta de estradas para o comércio interiorano. O meio de transporte para todo carregamento de gente ou mercadoria, de mudanças ou outras necessidades que se teria, as canoas eram o jeito mais utilizado pessoal; eram elas que percorriam toda extensão do rio até a cidade de Alcobaça no litoral. Esse papel, o rio fez muito bem, a canoa fez também, e, mesmo em muitas limitações que sofriam as populações; havia, de gente e coisas, de um lado para outro, uma intensa circulação; trazendo e promovendo o desenvolvimento de cada canto de nossa imensa região. As pessoas sabiam, muito bem, fazendeiros ou não, de todas as idades; utilizar do rio e das canoas, para fazerem suas vidas acontecerem sem maiores dificuldades.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM IV... Antes dos anos sessenta, no vívido século passado; olhos para conhecer Teixeira, se atenta; fica cauto ao que lhe é registrado; a rotina daqueles tempos; em que o rio era a melhor opção para chegar ao litoral; prevalece marcada nas lembranças de antigos moradores com seus eventos; muitos que cresceram na região, na área rural; nestes lugares de muitos proventos; que hoje fazem parte deste nosso amado espaço municipal. Na década de 1950, no que nos é instruído; o rio, como tantos e tantos por aí; não era o que consideramos poluído; e havia expressiva variedade de peixes e outros tipos de vidas afins. Viviam e cuidavam desses territórios naturais; diversas famílias negras sem desvarios; eram distribuídas por várias propriedades rurais; habitavam ao longo do percurso do rio; como era o caso da fazenda Nova América. Assim, com muito orgulho e presteza; podemos afirmar com calentura; que nós, os índios expulsos de nossas terras, com dureza; fomos substituídos por nós, os negros, com brandura.

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O RIO ITANHÉM V... A Bahia, por volta de 1950, no seu mapa provinciano; era um Estado agrícola parcial; a capital, Salvador, era uma metrópole de vasto espaço inurbano; e, ao mesmo tempo, pobre no seu mundo rural. Revelava, assim, essa fraqueza inóspita e a se impetrar; e também se fazia responsável pelo atraso de outras regiões rurais em sua incapacidade de se modernizar. Até meados do século XX; o extremo sul, onde hoje está nossa cidade querida; era o lugar na qual existiam homens de sonho e requinte; nomes determinados e livres em livre terra enriquecida; lugar que oferecia, a todos, vastas vantagens; sem preocupações recorrentes a outras paragens. Éramos uma sociedade emergente de pequenos produtores sem intrâncias; de posseiros tomados pelo anseio de apenas viver sem tantas extravagâncias; ou de camponeses afastados das correrias das cidades e pescadores atendidos por toda miséria e diversidade; todos que viviam da produção familiar para o consumo dos seus ou de um comércio de amenidades.

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O RIO ITANHÉM VI... Segundo testemunhos da década distante de 1950; muitos dos moradores das fazendas, nesta nossa região; viviam vida modesta baseada na agricultura que suas propriedades se fizessem farturenta; e também da pesca rica que o rio podia oferecer do seu pregão. Dedicavam-se também à pequena pecuária; até onde se podia ir com o gado que possuíam; à criação de galinha, muitas vezes para a deglutição ordinária; e o comércio pelas feiras livres das redondezas, por onde iam. Além disso, quase todos criavam animais de transporte, como jegues em um número maior; mulas em número menor; e alguns poucos cavalos. Os porcos eram criados muito inadequadamente; para serem comerciados na cidade de Alcobaça; eram vendidos nos dias apropriados para o comércio de rua, estritamente; depois de levados de canoa pelo rio, com mordaça; e, na maioria das vezes para muitos criadores de então, levados por pequenas trilhas pela mata em um dia inteiro de viagem, cortando a região.

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O RIO ITANHÉM VII... O peixe, nas muitas variedades daquele tempo; fazia parte da dieta das comunidades rurais; não só em nossa região e nosso acento; como em outras tantas além dos murais. Na fazenda Nova América; a exemplo de muitas outras que existiam ou estavam se formando no mesmo porte; a captura de peixes no rio era realizada na breca; em todo o tempo, e indiscriminadamente, na sorte; sem nenhum critério, cautela ou acepção de merreca. Porém em setembro e outubro de todo ano, o dilema; a pesca mudava a rotina geral em caquete; porque era o tempo da primeira Piracema; chamada, pelos pescadores, de “Ripiquete”. Até a década de 1960; o período da piracema era festejado por todos; era um motivo a mais para fazer esquenta. O nosso rio era convite aos de fora, e alegria aos de dentro da nossa bairrança; nos levava embora, e era quem alimentava os de dentro com muita festança; levava o que éramos a bem do mundo, e trazia o que de lá, nos faria, para lá, fecundos .

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O RIO ITANHÉM VIII... Na piracema do cio, quando os peixes estavam agitados e aglomerados por todo o percurso do rio; vinham pessoas das matas, dos povoados distantes ou não; vinham de Santo Antônio, Lavra, Pichichica, fazenda Cascata e outros tantos cantos de nossa região. Vinham pescar durante dois dias nas águas fartas. Mais ou menos cinquenta a cem pessoas, participavam da pescaria de três meses não consecutivos, muitos em suas barcas. O primeiro Ripiquete no rio Itanhém ocorria no mês das águas, entre setembro e outubro. O segundo Ripiquete, acontecia durante a cheia de Natal. E o último ripiquete entre março e abril, no tempo turvo. Nestes meses se pescava peixes como, entre outros, Crumatã, Piabinha, Piau. A região tinha, ainda, muitos limites para uma boa comodidade de seus habitantes; mas, em contrapartida, possuía muitas riquezas compensatórias que fazia com que todos convivessem e se desfrutassem mutuamente; uns ajudando os restantes, superando as dificuldades prementes.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM IX... Nas festanças dos ripiquetes anuais, pelos anos de 1950, no mês de maio se pescava quantidades colossais; deixava todos os envolvidos em cestos que se arrebenta. Capturava-se, entre outros, peixes como, Sabanga pequeno, Judeu, e Mandi. Testemunhos dizem que a quantidade de peixe pescado era grande demais por aqui; então, se salgava e secava no sol e guardava para, durante o ano, o consumo em fim. Da mesma forma, o peixe fresco, para consumo da semana, era colocado em palha de bananeira. A ova do peixe, chamada caviar, era salgado ou torrado e guardado na partileira; quando precisava alimentar batia-se no pilão e fazia a moqueca em passoqueira. No caso do peixe Mandi, diz testemunhas, tinha-se que secar no sol ou nos fornos em oca; para ser consumido durante a colheita do café, misturado com dendê e farinha de mandioca. Durante o ano, era fartura para famílias de toda a região; motivo de festa para sempre se encontrarem às margens do rio em nosso rincão.

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O RIO ITANHÉM X... Nos Anos que se passaram; o rio sempre serviu para enriquecimento das terras e plantações; para o transporte das gentes e das coisas que precisaram; para a pescaria das muitas variedades de peixes aos montões; e para as necessidades das famílias ribeirinhas ou não, que nele se refugiaram. No rio, as lavadeiras utilizavam as águas para lavar as roupas, vasilhas e os pertences caseiros; para o banho delas, dos filhos e da família caso houvesse um ribeiro próximo e maloqueiro. Para o consumo das famílias no certo; água de beber, era de qualquer nascente que estivesse por perto. O rio fazia parte da vida de cada chão, mesmo das casas que não fossem tão perto nele. Era o fator de integração para toda a região, as cidades e povoados ganhavam muito pela existência dele; que corria indistinto, sem parar; integrando-se com outros rios, até chegar ao mar. Até hoje, para boas particularidades, o rio guarda marcas deste tempos de grande importância para todas as comunidades.

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O RIO ITANHÉM XI... Em 1968, em seu correr cotidiano; o rio tomou uma proporção que jamais será esquecido. Inundando cidades do Noroeste mineiro e do extremo sul baiano; a grande enchente causou diversos transtornos e peitas, com nada parecido; à cidade de Medeiros Neto e ao povoado de Teixeira de Freitas. Naquele tempo e por causa das proporções da enchente; quatro mil pessoas ficaram desabrigadas com o repente; por ter atingido muitas cidades sem prontidão; municípios no vale do Jequitinhonha; e também, lugares em nossa região; cidades e povoados próximos à fronteira nesta peçonha. A fúria do rio, entre nós, provocou apavorante destruição; atingiu Medeiros Netos, Itanhém, e Alcobaça; atingiu a zona rural do povoado de Teixeira de Freitas com toda sua plantação; causando danos a infra-estrutura local com muita ameaça. A grande enchente veio e fez seu enorme estrago; e por alguns meses, as cidades sofreram para se reorganizarem dos prejuízos daquele mal afago.

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O RIO ITANHÉM XII... Aquela grande enchente de 1968, que não foi só na nossa região; tomou contar dos noticiários de jornais de todo o país. Bahia e Minas Gerais ficaram irmanados pelo sofrimento da população; pela busca de socorros e soluções que se quis; e pelas informações que cobriram todos os demais Estados vizinhos ou não. Juntos, por tudo aquilo, os governos municipais, estaduais e nacional; eles se mobilizaram, como puderam, irmanados, de muitas formas; para atender à contingência de necessidades que brotaram por todos os lados nas áreas atingidas pelo longo temporal. Nossa extensa e bela região, em especial; foi muito bem levada, em seus problemas, por todas as notícias vinculadas às tragédias que se sucediam; tragédias originadas na invasão do rio por todas as suas margens e beiral. Simplesmente, o rio, saiu de seu leito e veio produzir vítimas com sua agressão atemporal; gentes não acostumadas a tudo aquilo de um rio invasor por todos os lados de sua jornada natural.

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O RIO ITANHÉM XIII... Na grande enchente de 1968; mais de 500 casas foram totalmente destruídas; 5 mil pessoas desabrigadas pelo afoito; tarefas telefônicas e de urbanização obstruídas; lavouras em esgoto e a quantidade de mortos ainda não concluída. Este foi o balanço da catástrofe que se abateu sobre os municípios em nossa região. Medeiros Neto foi parcialmente destruída pelas águas daquele rojão; águas que subiram 6 metros acima de seu nível normal; embora a cidade não tenha visto nenhum temporal. Quando a região mineira do Jequitinhonha foi inundada; a cidade sofreu os efeitos da tromba d´água; e, como o rio divide a cidade em duas partes, a destruição alcançou grandes proporções, remexeu baluartes. Aqueles momentos foram inesquecíveis, até o hoje em dia; não só para aquela cidade amada e contígua de nossa Teixeira; mas, também, para a nossa região inteira. Solidários com a dor dos conterrâneos, participamos nas ajudas que receberam naquela situação rasteira.

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O RIO ITANHÉM XIV... Na catástrofe de 1968, que nos abateu; com o grande transbordamento do rio, por seus percurso imparciais; mais de 520 casas foram totalmente destruídas, tudo soverteu; inclusive edifícios públicos e lojas comerciais; trazendo grandes prejuízos aos municípios e suas gentes; deixando um terço da população, com famílias, ao desabrigo carente. Além da nossa querida vizinha Medeiros Neto, que foi muito prejudicada; também a nossa mãe, Alcobaça, foi bastante atingida pela enorme enxurrada. As duas cidades foram como fronteira medonha; com a região do Vale do Jequitinhonha. Pelo rio Alcobaça, nos dois municípios, foram 14 pontes destruídas completamente; e 120 casas derrubadas ao chão; o que representou um prejuízo estimado de em mais de 1 milhão de “Cruzeiros Novos” recentes; esta notícia varreu o país nos principais meios de comunicação. O Brasil todo passou a ter atenções, de alguma forma, conosco; com nosso choro, dores e preocupações.

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O RIO ITANHÉM XV... Naquele 1968, todas as cidades no caminho do nosso rio pereceram; bem como todo o trajeto de propriedades na região; tudo e todos que sempre se beneficiaram das riquezas que as águas sempre ofereceram, estavam agora jogados na mesma situação; de penúria, de desencanto, de frustração e prejuízos, os municípios feneceram; inclusive de vidas animais e humanas em contra-mão. Assim foram outros rios ligados ou não ao Itanhém. Estas informações chegavam a toda nação; e todo dia, naqueles dias, novas notícias, alarmava mais ainda, o que estava acontecendo em nossa região. Para o Brasil, o que maltratava Medeiros Neto era o retrato fiel do que afligia toda a região extremo sul da Bahia; e, o que acontecia no Vale do Jequitinhonha e mais, era o retrato do que se sofria na região próxima, já nas Minas Gerais. Uma das notícias afirmava que a FAB, força aérea Brasileira, socorreria os milhares desabrigados de Minas e Bahia. Esse foi um calvário que nunca mais se veria.

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O RIO ITANHÉM XVI... Naquele 1968 muito triste nos anais; o serviço de busca e salvamento da FAB, é o que se diz; recebeu comunicado da secretaria de saúde de Minas Gerais; informando que duas mil pessoas estavam isoladas em Machacalis. Corria a informação que tudo havia se agravado com a enchente em Medeiros Neto. Subira a mais de cinco mil, as pessoas desabrigadas em todo o trabuco. As primeiras providências do socorro às vítimas naquele desafeto; foram tomadas pela equipe de salvamento vindo do Recife em Pernambuco. Havia sido montado um posto avançado no aeroporto em Caravelas; de onde partiam as missões de socorro abrangência. O objetivo era levar ás famílias desabrigadas nas querelas: os necessários remédios e soros pedidos com urgência. Era uma catástrofe somente; não só para quem ouvia tais informes do que havia; não só para quem se mobilizava nas ajudas necessárias e urgentes; mas, para tantos que sofria diretamente, tudo que acontecia.

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O RIO ITANHÉM XVII... Em 1968, no quase natal; os jornais noticiaram que a febre tifoide era algo novo em todo o transtorno; uma doença infectocontagiosa na água doental; que ameaçava as cidades atingidas pela grande enchente em seu contorno. Naquele momento da catástrofe, onde havia; a febre tifoide, em novo e grave perigo se constituiu; ameaçando o Vale do Jequitinhonha e a Bahia. Em Minas Gerais era fato que a secretaria de Agricultura já admitiu. O número de pessoas atacadas pela enfermidade aumentou em ritmo alarmante. Assim, aumentava todas as preocupações; o incidente natural estava preocupante a partir daquelas inundações. As gentes que já estavam em perigo e abandono, desabrigadas e carentes, triplicaram suas necessidades, quando esta enfermidade passou a fazer parte de seus sofrimentos. O rio de tantas alegrias e sustento, agora era o grande vilão, o responsável por tantas dificuldades com aqueles que viviam o tormento, de toda aquela dor e escuridão.

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O RIO ITANHÉM XVIII... No Final de 1968, na grande enchente que não perdoou ninguém; cinquenta mil doses de vacina se esgotaram sobre os municípios baianos de Medeiros Neto, Alcobaça e Itanhém. Não se encontravam informações pormenorizadas relativas à situação regional; tudo indicando que os prejuízos foram vultosos para aquele tempo de então; já que os rios Alcobaça e Itanhém foram a níveis muito superiores ao normal, em toda a região. Segundo mais informações sobre os flagelos conturbados; com estradas isoladas e destruídas plantações; a fome também perturbava o sono dos desabrigados; o que levou entidades a providenciar muitas doações. É digno de nota, na busca de afeto; a mobilização nacional para ajudar as cidades atingidas; mencionavam a situação caótica de Medeiros Neto; como alvo da campanha para as populações sofridas. Foi um desastre total que se abateu sobre a nossa rica região; todos, de alguma forma, estavam sucumbidos ante tanta desolação.

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O RIO ITANHÉM XIX... Em Dezembro de 1968, nos dias tais; quando da grande enchente nos rios de nossa região; os novos advogados da Faculdade Federal de Direito, em Minas Gerais; decidiram fazer uma campanha, por toda a nação; em favor das vítimas das enchentes nas cidades de Machacalis e Medeiros Neto e suas gentes. A razão da campanha, é que as populações estavam sem ajuda abrangente dos órgãos governamentais na região. A fome estava alastrada e ameaçava dizimar nas cidades, a população. Na Bahia, a maioria dos atingidos, vivia no campo a sua dor; e o extremo sul, em sua gravidade particular, ainda não tinha contato terrestre com a capital Salvador. Outro fato que chama atenção; é a vulnerabilidade dos municípios em suas infra-estrutura; a fragilidade dos pequenos agricultores ou pouseiros quando acuados pela fome e doenças de então; e, principalmente, do socorro governamental, não eficiente, diante de um acontecimento inesperado como aquele, como postura.

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O RIO ITANHÉM XX... Naqueles anos de 1960 por aqui; em nossa região; a realidade sofrida pelo pouseiro e pelo pequeno proprietário era assim: bastava um período de colheita ruim; ou porque choveu pouco, menos que o esperado e não molhou o chão; ou porque choveu demais, além do que se carecia, e encharcou o torrão; ou porque a seca veio braba, sem respeitar ninguém; ou outros motivos semelhantes, fora do esperado por alguém; para romper aquele equilíbrio tão precário entre as necessidades vitais da população e a quantidade de alimentos com sua produção. No povoado de Teixeira de Freitas, em particular, diante de tudo aquilo de então; não foram grandes os desastres pessoais, comparado aos tormentos sofridos ao nosso redor; mas foram expressivos os prejuízos materiais sofridos na ocasião. O que faz com que, até hoje, moradores relacionem a queda de pontes e acidentes fatais naqueles momentos, o que for pior; tudo culpa real daquela grande cheia de 1968.

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O RIO ITANHÉM XXI... A enchente do rio Itanhém, naquele sonha; em 1968, no fim daquele ano; atingiu algumas cidades do estado de Minas Gerais, no vale do Jequitinhonha; e alguns municípios do extremo sul baiano. Em Teixeira de Freitas, suas populações desamparadas; a cheia deixou diversas lamúrias parecidas; como, estradas bloqueadas; pontes e plantações destruídas. Hoje, é essencial que relatos sejam preservados; fatos de tudo que aconteceu; pelas gerações futuras acessados; para que se previnam e cresçam no que se sofreu. Bahia e Minas Gerais se confraternizaram na mesma dor, Teixeira e região se irmanaram no mesmo odor, no mesmo refrão, como se todos estivessem entrelaçados para viver e enfrentar o grande vilão. Foi o rio, junto com outros; pedindo passagem para o pesado golpe que a natureza lhe providenciava naquele então. Mesmo com menos prejuízos que nos abateram; todos nós sofremos com o que nossos conterrâneos, em outros cantos, sofreram.

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O RIO ITANHÉM XXII... A primeira ponte sobre o rio, nesta parte da nossa região; foi erguida na década de 1950, e precisou de muita disposição; erigida por Quincas Neto, da Fazenda Cascata, em parceria com o prefeito de Alcobaça; o muito amigo , Antônio Simplício de Barros, com grossa e forte madeira em mordaça. Depois de facilitar, em muito, por algum bom tempo, o acesso ao litoral; a ponte foi destruída no início da década de 1960, por uma forte enchente temporal. A ponte, naquele tempo, suportou, muito bem, a força da água; mas não a chamada Baronesa, camada de vegetação; que se acumulou sobre as bases de madeira, em anágua; não suportando, da força da corrente, toda a pressão. No lugar daquela ponte, uma segunda de concreto foi construída pelo DERBA; Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia, o primeiro órgão público que o povoado Teixeira de Freitas tinha. Era assim que o rio estava sempre surpreendendo com o que dele corria.

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O RIO ITANHÉM XXIII... A segunda ponte, já em concreto, pelo Derba construída; teve destino igual ao da primeira, em madeira que fora destruída; teve a estrutura levada pelas águas do rio Itanhém em 1968; junto com a crença de que a modernidade e o conhecimento avançado dos engenheiros domariam a natureza selvagem do rio afoito. Por um bom tempo, o já precário tráfego em nossa região;. ficou totalmente prejudicado com aquele contratempo; forçando todos a buscarem a travessia pelo antigo canoão. Naquela enchente, em 68, afluída; o grande o volume da água não assustava os canoeiros a remar, pelo rio, acostumados; mas os carros dependentes da ponte destruída; a seguirem seus destinos, ficaram impossibilitados. Afim de amenizar os transtornos acumulados; uma balsa foi providenciada para fazer a travessia de pessoas e carros em traslados. Tempos demorou para que isto acontecesse, e tempos demorou para que isto mudasse, e à normalidade de uma ponte favorecesse.

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O RIO ITANHÉM XXIV... Da enchente do rio em 1968 por então; quando o mundo todo parecia que em água, ia se acabar, pelo menos para os moradores de nossa região; com todos os transtornos que os fazia chorar; os sofrimentos das famílias pelas cidades; principalmente o município de Medeiros Neto e seus abrangidos; somando as doenças e os desconfortos muito além das amenidades; a falta de socorro suficiente e a fome para muitos atingidos. Não pararam por ai, os estragos; os moradores ribeirinhos, que eram numa grande quantidade por toda a região; também sofreram com a avalanche de prejuízos, por todos, aguentado; tiveram que se deslocar das margens do rio e do seu pão; para os mais variados cantos possíveis e em condição de recebe-los naquelas asneiras; para não serem engolidos, e até mortos, pelo grande volume de água que vinha de surpresa das terras mineiras. Todos sofremos naquela ocasião; ninguém ficou de fora, ninguém pode ir embora, ficando imune de toda situação.

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O RIO ITANHÉM XXV... Em 1968, no final daquele trágico ano; Teixeira de Freitas saiu completa de todo seu cotidiano; a enchente exigiu o que o povoado não tinha; pois naquela proporção regional; inundou a estrada da “Prainha”; invadindo grandes espaços no matagal. Os moradores atingidos pelos estragos das emendas; foram obrigados a mudar para as partes mais altas das fazendas. Naquele ano, para todos, entristecido; pelas águas, não houve, no povoado, mortes ou algo parecido; o que se via era muitos animais boiando nas enxurradas; móveis e muita vegetação do rio, como Baronesas sendo arrastadas. Naquela época trabalhava-se na BR-101, na construção da ponte sobre o rio exagerado; estrada nacional que estava sendo construída e passava pelo grande povoado. No final daquele ano, a ponte já estava pela metade; e assim como aquela da Fazenda Cascata; foi destruída pela pressão da enchente em sua destruidora vontade. A tormenta transformou as terras divididas, perante as águas, em uma enorme sucata.

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O RIO ITANHÉM XXVI... Em 1968, no ano sofrido, daquela grande enchente; o rio inundou muitas e muitas roças ricas de cacau; também inundou, sem dó, outras agriculturas emergentes; deixando, aos proprietários, um enorme prejuízo mau. A destruição, na Cascata, da sua ponte pronta; e a meia ponte, na BR 101, em construção; bem como a destruição das muitas lavouras no afronta; não foram as grandes perdas observadas e lembradas, na ocasião: Uma Rural caiu no rio durante a travessia; quando feita na balsa daquele momento; ela não suportou o peso que o automóvel oferecia; e virou sem, aos passageiros, dar tempo. O triste acidente vivido no sarro; vitimou três crianças e uma mulher que viajavam no carro. A tragédia aconteceu no local onde havia a ponte da fazenda Cascata; e foi causado pela exagerada cheia do rio ondulante; pois assim que ponte ali, foi levada pela enchente caricata; providenciaram, de imediato, a balsa chamada, pelos populares, de “flutuante”.

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O RIO ITANHÉM XXVII... Em 1968, com a grande enchente marcando o ano; na enxurrada, era possível ver móveis diversos e animais mortos pelo rio, passando; foi a maior cheia que já se presenciou; foi a maior tortura que já se viu, por aqui, no que se articulou. Conta-se que uma pessoa foi puxado pelas águas por duas léguas, até que conseguiu agarrar em galhos dos matos e se salvou daquelas pregas. O acidente na balsa, com as mortes na Rural; deixou todo mundo assustado com o que soubera; era porque em registros, em situações semelhantes, natural; ninguém, na região, tinha o costume de ver aquelas coisas ou quem dera. Os desastres não foram maiores na ocasião; porque um helicóptero da Força Aérea Brasileira; passou voando baixinho sobre a situação; orientando, com auto-falantes, para os ribeirinhos saírem das margens rasteiras; porque muita água ainda estava por vir; porque muita catástrofe ainda estava por advir, com quem teimasse permanecer por ali.

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O RIO ITANHÉM XXVIII... Em 1968, em nossa história, naquela grande enchente; a tragédia das mortes na Rural que atravessava o rio, na Flutuante; repercutiu no povoado de Teixeira de Freitas, demasiadamente; pois vitimou três crianças que viajavam com o pai que escapou da situação frustrante. A febre tifoide que proliferou por causa da ingestão de água contaminada; ameaçou as cidades atingidas por toda a degradante enxurrada. Não houve aumento alarmante de casos de febre tifo, como seria normal; pois na vida da população ribeirinha, esta já fazia parte da rotina local. Mas, o grande problema assustador, foi o exagerado aumento da febre “sezão”; era assim, conhecida, a malária e suas consequências, o que foi novidade por esta nossa região. Os governos estaduais e federal se desdobraram para atender, também, esta dificuldade; usando, muito bem, os serviços da Força Aérea Brasileira nos deslocamentos necessários por todas as atingidas localidades.

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O RIO ITANHÉM XXIX... Nos anos anteriores a 1968, mesmo em falas precárias; em nossa região, sempre houve registros da febre tifóide e malária. As pessoas, normalmente, tratavam a tifo com Chá de Cipó Parreira e goma de Maria do sol; a malária, em si, só, era tratada com Chá de Quina Amarela, uma madeira de cor rosa ou amarela. Na lembrança de todos que conheceram tudo antes e depois do grande chuveiro profano; outras tragédias deixaram marcas, mas nenhuma se compara com a daquele ano. Para muitos, entre os religiosos e até entre os ateus; aquele tipo de castigo ocorre devido a desobediência do homem com as coisas de Deus; como foi o caso de uma provocada pelo deboche de um morador do Rancho Queimado; que colocou uma moeda de um mil Réis no caixão de um velho senhor que havia morrido prostrado. Tinha que ser castigo geral; pois todo mundo foi alcançado, ninguém ficou de fora; foi uma grande e poderosa intervenção divinal

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O RITO ITANHÉM XXX... Em 1969, depois da grande enchente; o medo e o pavor tomou conta da região; o susto passou a fazer parte do cotidiano da nossa gente, nas cidades, e ribeirinhos de então. Qualquer chuva, por menos prolongada que fosse, dava pavor ás populações; deixava todas as autoridades em sobre alerta; fazia com que todos se envolvessem na preocupação das povoações, sabendo que o mal que atingisse um, seria o mal que atingiria a todos, na certa. A catástrofe que abateu a história de nossa gente; foi suficiente para nos deixar mais envolvidos com a terra e mais; mais desejosos do bem para todos contentes; nos deixou mais irmãos, nos deixou mais humanos e fraternais. Depois daquele grande mar; ainda houve muita chuva; ainda houve muitos temporais a nos lembrar aquele momento de tristeza geral; mas nada se pode comparar com tudo aquilo que nos envolveu a todos, quando o céu caiu sobre a população de nossa terra natal.
Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM XXXI... Em 1968, no final do ano, a enchente se foi, as águas baixaram, as tormentas brandaram, e a enchente se foi. Um grande e melancólico alento e alívio desceu sobre os medos de todos, um grande descanso de alma chegou a todas as famílias, a todas as gentes, a todos os todos. A região respirou aliviada, o sofrimento tomou outra enseada, e as populações voltaram aos seus cotidianos, o rio voltou a ser amigo encantado de todo mundo, como era antes dele sair do seu leito profundo, mostrando seu lado alegre e sustentável. As chuvas foram para o passado, as dores e sofrimentos foram afastados, e todo mundo voltou a ser feliz. Minas Gerais e Bahia voltaram aos seus perfis, as ajudas e socorros voltaram ao matiz, e as reconstruções voltaram aos procedimentos como se nada tivesse acontecido, como se nada daquilo tudo voltasse a acontecer aos apercebidos. A enchente foi embora, a vida voltou ao normal, o rio assumiu seu papel de sempre, o rio voltou ao seu natural. Outras enchentes aconteceram, como outras muitas, antes, aconteceram também, mas aquela foi somente ela, única, a enchente das enchentes que veio do aquém.

HISTÓRIA CULTURAL - Setembro 2014


Foto de Jônatas David Brandão Mota.
HISTÓRIA CULTURAL I... Vamos agora nos reportar pra uma época muito anterior ao que possamos imaginar, tempos muito idos, além do que podemos vislumbrar, mas que respondem a muito do que somos, muito do temos e muito do que, por aqui, podemos encontrar. Vamos, agora, para o tempo da descoberta do Brasil, aquele passado onde todo registro era bravil, mas que também fez nosso rincão ser valente, e ao mesmo tempo, gentil. O que podemos saber daqueles momentos hostis, dá para compreender os históricos mais anteriores e servis, tudo que nos tem construído em nosso presente, no presente de nossos barris. Os tempos que Pedro Cabral aportou por esta banda, tem muito a ver com  os sonhos que atualmente o futuro nos manda, nos dando ares de grande confiança branda, que só os mais perversos conseguem ficar fora desta ciranda.


Foto de Jônatas David Brandão Mota.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.
 Foto de Jônatas David Brandão Mota.Foto de Jônatas David Brandão Mota.
HISTÓRIA CULTURAL II... Nos tempos do Cabral, quando o Brasil era assumido pelos portugueses de além-mar, nesta região do monte Pascoal, onde a comitiva aventureira veio atracar; onde hoje se denomina o Extremo Sul da Bahia, povos indígenas por todo o litoral se distribuía, muito antigos brasileiros que por aqui, a um, vivia; eram muitos povos de muitas etnias. Índios irmãos, gente que já cuidava de nossa terra com sorriso, gente que por aqui já tinha paixão, conterrâneos que já construía nosso paraíso. Eram terras já ocupadas e defendidas, culturas vivas que já mostradas e arguidas, sempre foi suporte para o futuro que hoje desfrutamos em inspirações toadas e preferidas. Somos hoje, aqueles muitos indígenas desta terra promissora, terra que “em se plantando tudo dá”; somos a força que move nossa gente encantadora, gente que ama e promove este lugar.


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HISTÓRIA CULTURAL III... Por aqueles distantes tempos, por nossa região, a faixa costeira era ocupada pelos Tupis em seus acentos, o que eram chamados todos os indígenas por esta ocasião; o que, também, eram algumas nações de índios originadas da própria etnia tupi, em muito diferente de outras etnias, mas muito semelhantes entre si. Especificamente eram dos tupis, os Tupiniquins, nossos, também, ancestrais, nossos conterrâneos e vizinhos naqueles tempos atrás. Eram aldeias de mais ou menos quinhentos em malocas coletivas, com poligamia entre os principais. As mulheres nos afazeres domésticos, na agricultura e pesca, eram maestrais. Os homens derrubavam matas e preparavam o plantio em geral; construíam habitações, canoas, armas e ferramentas de trabalho; defendiam a aldeia e a religião medicinal. Eram antropófagos, mas, gente muito especial.


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HISTÓRIA CULTURAL IV... Saindo do litoral, por aqueles tempos de Cabral, no interior viviam povos soutos, os não-tupis como os Pataxós, Maxacalis, Botocudos, Puris e Camacãs, entre outros. Os Pataxós ("papagaios"), eram os mais próximos de nós, eram os mais tinhosos. Os Maxacalis (monacós ou kumanaxú ou tikmũ'ũn) eram grupos aparentados, falantes de línguas próximas; pequenas aldeias de famílias extensas em torno de seus líderes políticos e religiosos. Os Botocudos ou Aimorés com seus botoques nos lábios e orelhas, viviam da pesca, caça, coleta e pequena agricultura de subsistência. Os puris ou telikong ou paqui, chamados pejorativamente por “coroados”, por serem pequenos e fracos, sem nenhuma resistência. Os Camacãs e Mongoyos, valentes e destemidos eram o temor dos colonizadores daquele momento. Todos nossos ancestrais, nossos vizinhos de há muito tempo.


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HISTÓRIA CULTURAL V... Dentre muitos índios, dentre tantas tribos que nos antecipavam; dentre nossos ancestrais e vizinhos, muitos eram os aspectos culturais que os diferenciavam. Os Tupis, sempre fortes e resistentes, viviam próximos ao extenso litoral, e, por isto, desenvolviam uma grande e influente homogeneidade cultural; com isto, e por isto, em nossa região, como por onde estivessem pelo Brasil, viviam uma outra característica, da mesma forma, pela sua disposição guerreira, possuíam uma poderosa identidade linguística. Assim, os tupis, apesar de estarem divididos em unidades políticas quase bem autônomas, sabiam o momento propício para se juntarem na defesa de suas causas heterônomas. Estes eram um dos nossos vizinhos mais chegados, um dos  nossos ancestrais mais aclamados, primeiros donos de tudo que hoje  fazem esta cidade ter a beleza índia que tem.


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HISTÓRIA CULTURAL VI... Ainda cantando sobre os nossos distantes e quase esquecidos parentes tupiniquins, os tupis; orgulhosos índios moradores nesta nossa maravilhosa e rica região; nossos quase indomáveis vizinhos de muro, dispostos conterrâneos muito afins; gente embebida por este canto natural, com nossa meiga mesma paixão. Eram povos mais sedentários, que outros, nesta encantada terra da gente; valentes guerreiros vaidosos a quem foi dado o direito armado de escolher onde habitar; nativos harmônicos com toda a natureza que lhes era presente daquele presente; homens e mulheres culturalmente adaptados com a vida e as condições do lugar. Os tupis, nossos vizinhos e parentes teixeirenses; antigos moradores dos tempos do descobrimento; moravam em grandes aldeias, além do que se pense; com populações de mil a três mil pessoas em mesmo digno assentamento.


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HISTÓRIA CULTURA VII... Eles, os tupiniquins, nossos antecedentes por estes rincões; pela subsistência coletiva, praticavam a agricultura, com o melhor de seus bordões; eram excelentes no plantio, nas técnicas cotidianas que desenvolviam; plantar, cuidar e colher, para o interesse da tribo, nossos ancestrais convergiam. Todos cuidavam de tudo, pois tudo era dos cuidados de todos também; homens e mulheres se dedicavam quase voluntários, contudo; organizados socialmente nos benefícios que disto provém. Milho e mandioca, os principais produtos daquela agricultura modelar; alimentos que perduraram na produção de nossa terra, mesmo depois deles, no lagar; quando colonizadores, negros e outros selvagens chegaram e ficaram; quando muitos aventureiros foram se estabelecendo para provisão, para comércio, nestas terras, milho e mandioca, como antes, foi o que plantaram.


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HISTÓRIA CULTURAL VIII... Nossos conterrâneos, os tupiniquins, gente que nos antecedeu em muitos aspectos; por muitos considerados muito ruins, viveram no amor e cuidado com estas nossas terras de provectos; se manducavam principalmente da agricultura do milho e da mandioca, o que já vimos; e que completavam a alimentação com  o que a natureza disponibilizava aos seus tinos: com a pesca nos rios que até hoje nos dão de suas contingências e riquezas fartas; com caça que era muito abundante e variada entre os muitos animais selváticos que predominavam em nossas matas; e com a coleta de frutas, raízes e outros víveres produzida por nossa abastecida flora, comida nativamente produzida na imensidão de nossas florestas que já foram embora. Nossos irmãos tupiniquins, gente que esta terra conheceu, gente da gente que esta terra convenceu, como faz, também, tão bem, hoje, com todos nós.


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HISTÓRIA CULTURAL IX... Os grupos indígenas do interior, nos tempos do Cabral; eram chamados de Aimorés, aimbirés, aimborés ou botocudos pelos Tupis-tupiniquins em desprezo visceral. Não tinham unidade, não se assemelhavam aos seus mesmos, não se pareciam com seus iguais; eram vítimas do poder e intransigência das tribos litorâneas, como estratégia, nas redondezas, de se manter a paz. Por causa disto, eram linguisticamente heterogêneos, culturalmente distanciados; os tupis os transformaram em parentes desconhecidos e antagonizados. Havia paz, muita paz, os aimorés botocudos, se odiavam e se evitavam entre si; e todos, com os mesmos temores, se evitavam em relação aos guerreiros tupis. Nesta estrutura política bem definida, nossa terra de paz e progresso, nosso lugar de paraíso amado, desde aqueles tempos áureos e distantes, tem existido sem muito sangue derramado.


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HISTÓRIA CULTURAL X... Nossos vizinhos Aimorés botocudos, gente do interior, a partir de nossas terras; não respeitados, desorganizados, meio embrumados, complicados que eram, viviam de suas próprias emperras. Costumavam organizar-se, para viver e morar, em pequenos e fracos bandos; o que os faziam ainda mais fracos, ainda menos respeitados, subservientes para outros os protegerem dos muitos e invariáveis vândalos. Formavam-se de algumas famílias, por aldeia, não ultrapassando cem pessoas; mesmo sendo inúmeros por toda parte, não conseguiam unidade, não conseguiam, entre eles, convivência boa. Viviam à margem da sombra presencial dos tupiniquins no litoral, estes, para se protegerem, mantinham uma larga área de proteção regional, e muitos grupos destes nossos vizinhos eram beneficiados, não sentindo necessidade de conveniências belicosas, ou mesmo parental.


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HISTÓRIA CULTURAL XI... Nossos vizinhos Aimorés botocudos, por várias circunstâncias favoráveis ou não; mudavam de local, de morada, a cada tempo agrícola, a cada chegada do verão. Em pequenas aldeias, saiam em busca de terras desocupadas e produtivas, lugares que pudessem morar e plantar; não iam muito longe, ficavam nas redondezas, sob os olhares, proteção e domínio que os tupiniquins podiam lhes ofertar. Mesmo com tantas idas e vindas, precisando de terras descansadas e férteis, nossos itinerantes primeiros ancestrais, eram das tribos sabidas, longe de serem inérteis, que se desdobravam em serem laborais no cuidado e proteção dos lugares por onde passavam, como tais. Os tupis ganhavam com isto, na ronda que aqueles faziam, ocupavam os espaços que lhes davam segurança, afastavam inimigos chegados às guerranças, e todos viviam em paz aproveitando as melhores abastanças.


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HISTÓRIA CULTURAL XII... Nos tempos do Cabral, conversando sobre nosso passado parental, sobre esta nossa terra ancestral; os Aimorés botocudos, em seu estilo de vida quase nômade em tudo, sobreviviam em limitada cultura, com a caça e a pesca como mais importantes que a agricultura. Para ser mais fácil de mudar de lugar, o que dificultava entrar no ciclo do colher, cuidar e plantar. Diferentes dos tupis instalados em enormes contingentes, no melhor da região, onde viviam, plantavam, colhiam e se desenvolviam; os índios do interior se desmanchavam em pequenos grupos sem união, que viviam de buscas de melhores espaços de colheita e pesca onde, por algum tempo, se acomodariam. Eram assim, uns e outros, por toda este imenso território onde Teixeira de Freitas hoje se agrega; eram assim, nos tempos antes do chamado “descobrimento” trazer uns “diferentes”, como nós, quando a indiada se entrega.


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HISTÓRIA CULTURAL XIII... Com a chegada dos europeus, nossos outros irmãos, invasores; nossos ancestrais de bem longe, nossos parentes portugueses;  com o tempo, foram alteradas muitas situações e valores; os legítimos moradores se tornaram fregueses. A presença dominante de uma nova postural cultural, mais que os tupis tupiniquins do litoral, interferiu nas relações pessoais daqueles que por aqui viviam, nas relações de poder entre as aldeias que por aqui existiam, na distribuição espacial dos indígenas do lugar, interferiu até na sobrevivência coletiva dos que sempre por aqui estiveram a habitar. Agora, novos ancestrais nossos, surgem no cenário, e a nossa terra sente a diferença, e o nosso ambiente natural sente a convergência, o nosso habitat sente aquela intrusa contingência. Em pouco tempo, depois de longo período de jeitosa harmonia, tudo muda, os ares agora são outros, a vida agora, ao mundo, está desnuda.


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HISTÓRIA CULTURAL XIV... Com a chegada dos europeus, nossos outros irmãos, invasores; as gentes que vieram de outros continentes mais longe; mudanças tiveram que acontecer pela imposição dos ofensores; diferenças até com uso, pregação e atuação de monges. Entre as inovações que o novo momento se fez obrigado a impor; pela força das armas, das boas vindas, do presente, da doença e do novo a se compor; a reposição demográfica, o achegamento de massas em seus acampamentos “civilizatórios” que parecia beneficiar todo mundo, traz consigo e de forma inusitada, um desastre profundo; transformação que, principalmente, geraria todas as outras mudanças, naquele período, atuais; um avalanche de condicionamentos promovedores das mutações em todas as características culturais. Os ancestrais de longe roubaram, desde aqueles tempos, é certo; o ser ancestral daqueles que moravam por perto.


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HISTÓRIA CULTURAL XV... Nos tempos após a chegada europeia, quando os portugueses se registravam como detentores de nossas terras descobertas; como autênticos colonizadores que eram, conquistadores inveterados por implantar o conveniente aos interesses nestas terras ditas abertas; instalaram núcleos de ocupação do território sempre ocupado pelos índios dos nossos contextos; foram impondo domínios nos espaços que pareciam não serem de ninguém. Foram se fazendo presentes nos arredores das aldeias, com os mais infames pretextos, foram apertando a liberdade dos nossos primeiros ancestrais nativos, sob a bandeira do bem. A princípio, tudo era em caráter provisório, eram o cão marcando  o que acreditava ser seu novo território;  aproveitando o pensar indígena que nada era de ninguém, e que tudo poderia, harmonicamente atender às necessidades prementes de qualquer porém.


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HISTÓRIA CULTURAL XVI... Naqueles tempos após Cabral, no cotidiano de nossos ancestrais vindos e nativos; os núcleos de ocupação estavam sendo implantados pelo litoral; por entre as aldeias, aquelas menos resistentes, sem improvisos. Os primeiros locais foram basicamente, um em Porto Seguro, como central; entendido como favorável à disseminação dos núcleos por todo o extenso litoral; depois, então, como para o interior. Para o território especificado no Tratado de Tordesilhas, entre Portugal e Espanha; aquele era realmente o melhor lugar para uma invasão solidificada em campanhas. O outro primeiro núcleo de ocupação, por sua vez, foi em Caravelas, onde até hoje vivemos a influência de seu progresso, talvez. Teixeira de Freitas e a região foram muito beneficiadas com aquela furança; se considerarmos a presença portuguesa já valorizando e propiciando as terras que nos deixaram de herança.


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HISTÓRIA CULTURAL XVII... Nos tempos Pós-Cabral, na estratégia de dominação, os núcleos tinham importância cabal, para os nossos ancestrais de longe, auferirem a ocupação. Atendendo às exigências da religião nacional, à proliferação europeia, a visão do Vaticano global, e aos tratados das descobertas divididas com a Espanha, nesta epopeia; a benevolente Portugal, nos núcleos que foram edificados por entre as aldeias já estabelecidas então, construiu capelas, a presença católica da boa intenção. Diziam: Os nativos precisavam de civilidade e salvação, as novas terras deveriam ser resgatadas do paganismo, e os conceitos do cristianismo nas almas de todos era premissa essencial para se levar, aos nativos, a civilização. Assim, cada capela se tornou um centro cultural religioso a vigorar; sempre disposto a suplantar todas as demais culturas permeadas pela “idolatria ignorante” dos indígenas do lugar.


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HISTÓRIA CULTURAL XVIII... Nos tempos que chegaram nossos familiares europeus, nosso distante parental; quando suas presenças impositivas já se faziam notar no cotidiano indígena do momento; os invasores, nos núcleos de ocupação, distribuídos, inicialmente ao longo do litoral; estabeleceram centros de administração, pontos responsáveis pela interiorização do “descobrimento”; e, nos espaços “conquistados”, fortalecer o devido domínio de Portugal. Era, para tudo isto, muito comum o estabelecimento, também; de postos avançados em todos os vários lugares já chegados, para o armazenamento de madeira e fortificações; no objetivo de proteger os chegantes portugueses dos ataques dos rebeldes nativos; e até dos franceses e holandeses que já conheciam, de antes, aquelas possessões; que sabiam das terras e das suas muitas riquezas, fazendo-os piratas ativos; e, assim, se achavam no direito de exercer legais dominações.


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HISTÓRIA CULTURAL XIX... Depois dos primeiros tempos, quando nossos parentes brancos já haviam chegado para o chamado “descobrimento”; durante o estabelecimento dos muitos núcleos de ocupação, quando o intuito era o domínio consciente de toda a população; os índios Tupis-tupiniquins, os donos de nossas terras de hoje, aqueles que viviam próximos ao litoral; os que eram guerreiros, valentes, destemidos, os principais detentores da nossa herança parental; estes logo foram “civilizados”, ou seja, foram logo subjugados pelos portugueses; deles foram roubados a cultura, as terras, a lavoura, a vida, estes logo foram mutilados, ou seja, dos invasores sutis, logo se tornaram fregueses. Para isto, nossos parentes de longe, usaram todos os apetrechos necessários e violentos; para que, como colonizadores, pudessem ser atendidos seus intentos; em favor de uma coroa sedenta de poder e riquezas, com domínio sangrento.


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HISTÓRIA CULTURAL XX... Nos tempos depois do descobrimento; completando a invasão que Portugal entendia ser seu direito; tudo a partir do acordo feito com a Espanha e o Vaticano para aquele momento; se utilizando dos núcleos de ocupação, com ajuda a seu proveito; e sob a bênção e interesses da Igreja Católica nos seus proventos; através de ordens religiosas, como os temíveis jesuítas e seus preceitos; sob, cristianizar estes povos, o que era um bom argumento; os índios foram subjugados juntamente com suas vidas, seus bens, sua cultura e toda a dor; bem como com a vida na natureza que sempre esteve ao seu dispor. Tendo tudo isto a sua mercê, dentro dos escrúpulos de sua  então, civilidade; os indígenas, de Portugal, escravos passaram a ser; nossos parentes nativos, como objetos sem liberdade. Nossa terra vivenciou esta memória, nossas redondezas foram palco desta atrocidade, contra nós e nossa história.


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HISTÓRIA CULTURAL XXI... Naqueles tempos de outrora, quando nossos parentes brancos chegaram da Europa; quando impuseram que toda cultura nativa fosse embora, usando até a bondade da religião como bagagem de tropa. Nossos parentes vermelhos, que aqui habitavam; afastados de tudo e de todos que os milênios lhe comungavam; sofreram, entre outros muitos infortúnios; pelo contato com os colonizadores infames e tão primeiramente simpáticos; o contágio de doenças aos portugueses oportuno; mas aos nossos parentes sofridos e mal visitados, resultado lunático. De todas formas, as populações indígenas passaram a sofrer com varíola, sarampo e gripes; passaram a conviver com vícios, malogros e maus estirpes; passaram a se envolver com decepções, impetrações e acepipes. Mais frágeis ficaram, mais dependentes se apresentaram, mais escravizados se mostraram, mais carentes de cuidados e senhorio se ofertaram.


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HISTÓRIA CULTURAL XXII... Depois que nossos ancestrais brancos chegaram em contra-mão, quando atuaram contra tudo e todos que impediam seus domínios territoriais; quando usaram de tudo e de todos para plantar o que diziam ser a civilização, forçando o que descreviam ser seus melhores mananciais. Em pouco tempo já se notava a mudança espalhada por todos os cantos do lugar; em pouco tempo já se mostrava a desgraça empalhada que o além mar trazia para em nossas terras plantar. O nosso chão e a nossa gente nativa tornou-se enferma em muitos sentidos; os invasores, nossos parentes de longe, assumiram papeis mais severos e atrevidos; e destruída foi a cultura e a identidade étnica dos nossos índios por aqueles que usaram até a religião como carrascos assumidos. Primeiro de todos, foram os nossos Tupis, os tupiniquins do nosso litoral; os guerreiros de outrora, protetores dos interiores, foram sucumbidos ao papel serviçal.


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HISTÓRIA CULTURAL XXIII... Depois que nossos avós europeus chegaram; enquanto aprimoravam as investidas para a dominação completa do “descobrimento”; primeiro, e sem muita da resistência que esperavam; caíram ao poder sedutor e bélico-religioso, os índios valentes do antes daqueles momentos. De uma forma ou outra, por uma ou outra maneira estonteante; os portugueses venceram os nossos avós nativos do litoral; foram, um a um, sucumbindo diante do poder chegante; iam sendo conquistados, dominados e até domesticados, como se faz com um animal. Coube aos indígenas do interior; aqueles fracos, submetidos, distribuídos em pequenas aldeias andarolantes;  oferecer resistência à dominação, no momento posterior; quando a estratégia era ampliar a invasão dos brancos chegantes. Protegendo nossas terras, guardando nossa cultura anterior, foram os frágeis e caçoados botocudos quem deu resistência aos temíveis navegantes.


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HISTÓRIA CULTURAL XXIV... Chegados os europeus, nossos avós brancos, e, iniciadas as estratégias de consolidação de domínios aos fregueses; logo os índios mais valentes, os tupis tupiniquins de nosso litoral, aos bandos; foram se rendendo, foram se entregando ao convívio colonizador dos portugueses; ao contrário de nossos irmãos vencidos; os  outros nativos do interior, declaradamente aborrecidos; se mostraram, diferente de antes, nada em nada inferior. Resistiram, assumiram defender nosso torrão e nossa cultura atacados; ante a imposição dos europeus arrogantes;  Se organizando em ataques devotados e inesperados; principalmente aos povoados dos invasores, assaltos constantes. Foi assim por toda as terras tordesilhadas de Portugal; por um bom período de tempo, enquanto os domínios eram consolidados a todo mal; os ancestrais que antes eram os valentes “do pedaço”, escravizados; e a brasilidade manifestada pelos ex-hostilizados.


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HISTÓRIA CULTURAL XXV... Nos tempos da consolidação da descoberta de nossas terras, com nossos ancestrais brancos dominando vermelhos escravos e sendo atacados pelos vermelhos insurgentes; nossa região era o retrato da colônia que a história nos encerra; um ambiente de revolta e tentativa de liberdade contra os intrusos emergentes. Os confrontos sangrentos entre índios amotinados e não índios se repetiram ao longo de todo um tempo; o que não impediu a maior presença de Portugal com nosso lugar; o que não atrapalhou a chamada civilização branca religiosa em nenhum momento; o que não foi suficiente para evitar que mais e mais europeus assumissem as terras que não eram deles, a cá. Estes embates frequentes, insignificantes, muitas vezes sangrentos, duraram até o final do século dezenove; quando já, quase, não havia índio guerreiro ou índio escravo; não, quase, havia mais índio para ser, pelos brancos, chamado de civilizado.


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HISTÓRIA CULTURAL XXVI... Naqueles tempos da injusta imposição; dos nossos irmãos europeus sobre habitantes nativos, nossos irmãos; motivados pela necessidade da dominadora ocupação; no território tordesilhado da Terra de Santa Cruz; após a coroa colonizadora perceber a riqueza da agroindústria açucareira que desenvolver; explorando ao máximo ao máximo, a mão-de-obra disponível e de graça a lhe prouver. Para sobreviverem, indígenas se submeteram, outros fugiram, outros se rebelaram e outros guerrearam. Nossos ancestrais “descobridores”, se dizendo donos de tudo e de todos, produziram riquezas sustentadoras da coroa e seus herdeiros gastadores. Nossos ancestrais invadidos e humilhados em suas vidas, culturas, terras e valores, passaram a ser dizimados pelo trabalho pesado, ou pelas doenças trazidas como flores; pelas armas e emboscadas que os tratavam como selvagens; pelos civilizados que os tratavam como rebeldes em suas bobagens.


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HISTÓRIA CULTURAL XXVII... Os primeiros tempos de nossa história, éramos só “nóis” e nossa terra amada; éramos só nossa gente e nós mesmos, com nossa terra do nosso jeito; nossos segundos tempos, já não éramos só “nóis” em nossa estada; outros, de longe, chegaram e se fizeram donos, colonizaram em seus, entre eles, acertos. Nesses segundos momentos de nossos Brasil particular, nosso mesmo; quando os índios, nossos irmãos, nossos ancestrais estavam sendo dizimados ou escravizados com lampejo; o mercado de escravos africanos estava em preços elevados; o próprio Portugal fornecedor, não conseguia comprar diante da fome escravocrata dos brancos civilizados; e, a única solução para os interesses colonizadores das Terras de Vera Cruz, era a captura e a servidão dos povos indígenas, aqui, encontrados. Foi deste jeito, sem tirar nem por, que a nossa região e todo o Brasil foram construídos: no roubo das terras, da cultura e da vida de nossos pais extinguidos.


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HISTÓRIA CULTURAL XVIII... Naqueles segundos tempos do que, na pele, nos aconteceu; com os ancestrais chegantes de longe, no domínio de tudo; e os ancestrais nativos sofrendo na pele, o “pereceu”; nossas terras aqui, sofria o mesmo que as terras próximas ou distantes dos mesmos nativos mudos. Tem-se registro que um oficio assinado pelo subdelegado de policia do Prado; isto a outro dia atrás, no século XIX, em seu meados; mostrando o “civilizado” costume de envolver "índios mansos", mesmo assim, com estes dizeres; nativos que podiam ser levados pelo interior a dentro, em muitos escravos-afazeres; eram levados, tanto nas expedições, chamadas Entradas, de iniciativa do governo português; como também as Bandeiras, de iniciativa privada de bandeirantes com muita intrepidez; ambas iniciativas, que saiam em busca de conquistas de novos territórios dominados, ou de riquezas em aglomerados; exploraram duramente os verdadeiros donos de tudo que roubaram.


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HISTÓRIA CULTURAL XXIX... Naqueles macabros tempos do pós descobrimento; quando nossos ancestrais de longe chegaram para nos fazer cativos de seus interesses e atrocidades religiosas; “Índios Mansos” eram duramente usados nas mais variadas expedições pelo interior das terras dordesilhadas do momento; chãos que Portugal ganhara na caneta dos acordos entre Espanha, Vaticano e pazes falaciosas. As expedições, com todos os espíritos frustrantes aos nativos; os verdadeiros donos de tudo que estava sendo tomado e abusado sem atrativo; eram Entradas e Bandeiras, todas, essencialmente em seus objetivos e pretensão; buscavam conquistar novos territórios e capturar novos indígenas à servidão. Nossos pais nativos pagando caro pela riqueza que tinham; com suas próprias vidas e liberdade, satisfazendo a ganância devotada que os chegantes traziam. Muito daquele sangue, sacrifício e peita; foi espargido sobre as terras que somos e construímos com a beleza de Teixeira de Freitas.


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HISTÓRIA CULTURAL XXX... Em 1500, chegam nossos pais europeus com muita fome e sede de poder, riquezas e expansão; chegam de navios cheios de gente de toda espécie, até degredados bastardos que vinham por liberdade maior para suas fúrias criminosas e corrupção; uma invasão de todo tipo de males e maldades que o lixo europeu poderia produzir no distante cantão. Estes são os nosso pais brancos, tudo que nossa sociedade despreza e abomina com dor; são estes tipos, ou grande parte deles, que descem em nossa terra como dominador; os homens que traziam armas e a força da ganância para obrigar nossos pais nativos à submissão, em nome da paz que diziam trazer, da amizade que diziam fazer, da fé que diziam conter na religião. Era a civilização que chegava com todo um aparato injusto, opressor, mentiroso e profundamente explorador... nossos ancestrais nativos caíram neste vil, e esta nossa terra amada, como todo os cantos pelo Brasil, viveu na pele a mesma dor tramada.