Novembro 2014... A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO I... Em 15 de novembro de 1984, ano contente, no ardor das discussões cívicas de nossa terra e nossa gente; foi realizado o plebiscito que trazia muita esperança e satisfação para a vida do povoado de Teixeira de Freitas; onde a cidadania, dividida pela Avenida Castelo Branco, entre Caravelas e Alcobaça, com todas as políticas e suas espreitas; escolheram não depender mais das cidades-sede de então; escolheram ser independentes como outras tantas cidades da região. À Flor da pele, estavam todos os moradores apaixonados pelo ambiente que o povoado já ministrava entre os seus pilares; foi o grande momento de todos se manifestarem pela construção social que num todo, já convergiam em seus lidares. No plebiscito entoado em favor do que parecia ser o desejo popular, e que veio concretizar este pretenso anseio municipal; trouxe um novo ar político às conversas, às discussões, à toma de posição que trouxe condição de entender o querer populacional.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO II... Quase no final do ano de 1984, pouco antes da emancipação oficial da Igreja Batista Central, que seria no início de Dezembro daquele ano; a população do povoadão de Alcobaça e Caravelas, foi chamado às urnas para dizer se queria ser independente, ou se gostaria de continuar naquele submetido cotidiano. O povo prontamente atendeu, tomou fôlego e foi determinar seu futuro, tomou fôlego e foi manifestar os seus sonhos e prumos; foi assim que todas as conversas por todos os cantos, os lamentos e desencantos, tudo foi colocado em pratos limpos para a lei que abriu as portas para o povo tomar seus próprios rumos. Teixeira votou em Teixeira, o plebiscito contou por tim tim em seus registros, o desejo desenfreado de todos em construir seus próprios manejos; a totalidade da população se convenceu em transformar reclames e propostas, solfejos e apostas, nas linhas jurídicas que disse em alto e bom som, que o povo queria reger os seus lampejos.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO III... Em 1986, quando das eleições municipais em todo o país; Teixeira voltou às urnas para escolher seu prefeito, seu primeiro prefeito escolhido, eleito no que quis. Até lá, até aquele momento de cívica escolha; a nova cidade se organizava, se formalizava juridicamente, implantava seus organismos e entidades, capazes de dá-la pujança de município novinho em folha. Nomes que antes se enveredaram nas lutas por aquela desejada emancipação tão bem vinda; agora juntava forças e lideranças para estabilizar os sonhos populares de uma terra ingovernável dos anseios coletivos provinda. De 1984 até aquele ano, era como estar fora da realidade, era como estar nas nuvens de ufanistas; tudo que todos queriam, tudo que todos ambicionavam, agora era tudo que as possibilidades podiam oferecer ao pior dos pessimistas. Teixeira não era mais a mesma, o povoado era passado; agora nascia um município de norteado a ser muito grande e muito determinado.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO IV... Em 1986, com ares de cidade, de cidade grande, de cidade que percorria os seu destino aceito; Teixeira de Freitas foi às urnas votar, foi civilizadamente às urnas manifestar, foi escolher entre seus candidatos, o que seria seu Prefeito. Naquele ano, quando a democracia tomava algumas tímidas formas em todo o país, quando na nova cidade o olhar de todos, na mesma democracia, também, se notava muito bem fito; o povo foi à festa da votação, como cidadãos, como parte da nova história que estava sendo escrita, a maioria elegeu o carismático Timóteo Alves de Brito. Naquele evento cívico espontâneo e claramente, pela coletividade, festejada; o povo escolheu o seu interventor, o brigão das lutas populares, como o primeiro prefeito da cidade recém-emancipada. A cidade criança tornou-se adulta, a beleza precoce formou-se na bruta; o futuro estava posto, os sonhos deixavam o encosto, e, da subta paixão, Teixeira de Freias tornava-se a capital da região.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO V... Em maio de 1985, quando da emancipação da nova cidade, ainda na luta que todos travavam para o feito acontecer; uma grande festa foi realizada, festança que se espalhou pelas principais avenidas, uma grande celebração para um povo a merecer. Cidadãos chamados à rua, não para protestos ou coisa parecida, não para reivindicação na na campanha pelo emancipar; cidadãos chamados à rua para demonstração de seu triunfo, chamados à rua para, desta forma, também, se contemplar. Teixeira não era mais um povoado, não era mais um lugar de disputas alheias, não era mais um espaço dividido e cobiçado; Teixeira de Freitas, agora, era uma cidade, um município com todos os atributos de município, um sonho sonhado que se tornou realizado. Era festa mesmo, festa nas ruas, festa com o povo, festa que abriu caminho para futuros a vencer; era festa que trazia a população para a rua, para que, nua e crua, ela se identificasse com seu querer ser.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO VI... Em maio de 1985 a emancipação chegou, os poderes constituídos do país determinam que Teixeira de Freitas não é mais povoado; instou-se a todos os pulmões que o lugar agora é cidade, e a população foi às ruas comemorar, saíram todos à festa que há muito estava ensaiado. Pelas ruas, pelas avenidas, por todos os cantos da cidade havia a melhor das festas pra sonhar; todos eram cúmplices, o desejo comum estava alcançado, a luta comum chegou ao final com triunfo a desfrutar. Um dos principais focos de toda a festa foi a grande praça da Rodoviária, um largo inteiro tomado de gente nos festejos do novo futuro que aparecia; naquele momento todo o espaço foi tomado como símbolo cívico, onde as esperanças de promessas tornavam-se compromissos de todos a há uma só voz como se ouvia. Políticos e outras autoridades tomaram palanques, assumiram arranques, contemplaram todos os festejantes com seus discursos de alto-falantes.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO VII... A partir de maio de 1995, entre outras diferenças esperadas pelas gentes que por aqui moravam, gentes que por aqui viviam, mesmo que com muitos limites; uma era de novas possibilidades a vigorarem, possibilidades a se formalizarem, trazendo condições e estruturas de cidade capaz de zelar bem da população que lhe assiste. Teixeira sempre foi um bairro grande de duas cidades vizinhas, bairro próspero, as vezes até melhor ou maior que as duas cidades podia dizer que tinha; porém, era um bairro, um povoado, um lugar segundo, com sacrifício profundo, que não conseguia oferecer um mínimo de condição aos seus munícipes com o que lhe vinha. Com a emancipação tudo haveria de mudar, tudo haveria de melhorar, e as festas ocorridas tinha esta mensagem a dar; o povo abraçava estas possibilidades, o anseio militante de ser reconhecido como um bom lugar para se viver, para se cantar, para se apregoar como céu a se provar.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO VIII... Até aos dias da festa, nos anos que se passaram, até o horizontes se tornarem reais e promessas de melhorias se oferecessem ao pessoal; a “cidade” era um só barro, era uma só areia, por todos os cantos, por todas as ruas e ladeiras, o lugar estava todo no chão, havia um mal trato geral. Era um areal sem medida por todos os cantos que se corresse querendo chegar a algum lugar; era tanta areia que muitas vezes os carros atolavam nelas, as pessoas afogavam os pés nelas, se chovesse rápido elas se secavam, não havia como o pé molhar. Com a emancipação, uma atenção especial tudo isto iria receber, um tratamento principal a tudo isto iria-se promover, e a “cidade” iria receber cara de cidade, e o povo iria desfrutar de mais esta felicidade. Quem vivia naquele tempo, quem se lembra deste momento, recorda-se da grande expectativa que todos tinham diante do que viviam, o que dava ainda mais gás à festa, mais fôlego a toda aquela cívica seresta.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO IX... Em 1985, marcava o encerramento de todo o processo político, jurídico, e outros mais, para que o povoado pudesse ser tomado como apto ao reconhecimento federal de cidade; era o limite temporal que nossa história tinha para esvaziar-se, tornar-se mobilizadora, na busca de todos os trâmites possíveis e necessários para operar a sua historicidade. Registra-se que os primeiríssimos passos em tudo isto que veio nos escorrer, iniciou-se desde os idos de 1972 quando nossas demandas, junto com outras tantas em povoados na mesma situação, se agigantava no peito de nossa gente, exigindo um resolver. Dinheiro, tempo, prestígios, mobilizações e outras cargas que foram executadas visando este quinhão; forjaram homens e lutadores, políticos e empreendedores, todos versados no mesmo interesse de ver Teixeira de Freitas fazer-se a delicada, bela e grande beleza de nossa região. Não deu outra, a cidade cidade se tornou com toda paixão.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO X... Desde 1972, quando no auge das benfeitorias que a BR 101 recebia, para oferecer como BR que atravessava todo o país quase pelo litoral; Teixeira de Freitas se sentia amarrada, não livre, impedida de voar, de ir longe, de ser naquela estrada de longes, a cidade das cidades, no espaço regional. As construções e já as primeiras passagens verificadas no caminho que abria o Brasil para o norte e para sul, que abria as esperanças para todo o horizonte azul, dava asas para o povoado que se incomodava com todos os limites que sua condição lhe impunha ser; e foi nestes ardores sonbris que as principais lutas emancipatórias se concretizaram, dando mais e mais esperanças para o que a população irrequieta se aglomerava a ter. Desde aquele início de construções vizinhas, que incluía o imenso povoado às suas margens; a longa estrada brasileira passou a corroborar, também assim, desbancando os moradores com a liberdade do ir e vir em suas mensagens.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XI... Desde 1972, entre as muitas arrumações que um grande povoado se antecipa até mesmo por suas demandas e mazelas; uma muito atuante no convívio de Teixeira de Freitas, era a presença de políticos, domiciliados por aqui mesmo ou em Alcobaça e Caravelas. Por um motivo ou outro, e mais ainda quando na procura por votos, mediante suas promessas e reconhecimentos; eles iam e vinham, estavam sempre evidenciando a importância política do tão buscado e eficiente credenciamento. Com isto, nomes foram se tornando, cada vez mais, figuras representativas dos interesses messiânicos do povoado; marcos fundamentais para uma gente que queria muito se fazer liderada e bem representada para as conquistas essenciais ao sonho almejado. Desde aquela época, quando todas as forças convergiam no interesse de transformar esta terra numa cidade maravilhosa; os políticos já se faziam presentes, para serem os menos ausentes ante a emancipação audaciosa.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XII... Em 9 de Maio de 1985, acontece a tão esperada emancipação, Teixeira de Freitas passa a ser, num só momento, uma enorme cidade da Bahia, maior que muitas cidades de direito; no processo de autonomia, neste ano, também, junto com as eleições de deputados e senadores, o ex-povoado deveria escolher o seu primeiro e futuro Prefeito. Vitor Ferreira de Guimarães, um dos expoentes da nossa independência; Francistônio Pinto, outro nome nosso de grande imponência; e Timóteo Alves de Brito que ao final assumiu a proeminência, sendo eleito pela maioria dos votos contados na ocasião. Qualquer dos nomes que ganhasse a disputa, naquela situação, pelo engajamento em todo o movimento emancipatório do município, pelo potencial particular na administração naquele princípio, qualquer dos nomes teria muito o que oferecer; e, aprouve ao pleito popular escolher um deles, o que iria as expectativas atender, levar Teixeira aos trilhos do futuro que estamos a viver.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XIII... Após o 9 de Maio de 1985, dia da emancipação, durante o ano da campanha política, as discussões acaloradas deram um toque de anormalidade em todo o processo; um grande ardor, de todas as partes, ficou muito evidente, todos interessados em caminhos diferentes para o tão ambicionado progresso. Ânimos exaltados e muita “briga” entre partidários, tornaram-se as notícias mais comuns naqueles meses de comícios, corpo a corpo e outros trejeitos eleitoreiros praticados; se entre os políticos envolvidos, isto aconteceu com muita frequência, mais ainda foram realidades entre os eleitores contaminados. Onze mil títulos foram concedidos irregularmente, um número exagerado de fraude que mostrava a gravidade da disputa para aquelas eleições; infelizmente um início medonho para um cidade que aspirava lugar de destaque em suas projeções; mas, felizmente, episódio que, na vida da cidade, não veio determinar atrasos, amargores e outras detrações.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XIV... Aquele ano de 1985, ano da primeira campanha para escolha do primeiro prefeito para a história de nossa Teixeira de Freitas, com todos os terríveis relatos lembrados; trouxe incidentes amargos, na disputa pelo poder, incidentes terríveis que até hoje macula os momentos iniciais desta terra que busca ter passos em seu progresso acelerado. Devido à violência e confrontos até entre partidários, devido à acirrada defesa de candidaturas em todo aquele processo, naqueles meses de grande tensão e dedicação extremada; duas mortes tiveram comprometimento com tudo que acontecia, duas vítimas deram resultado fatídico aos tristes encaminhamentos de uma cadência política conturbada. Foram mortes violentas, exatamente como os motivos que ceifaram as duas vidas que, por acreditarem em seus candidatos, lançaram-se a provocar e a vier provocação aguerrida; foram mortes violentas que trouxeram dor emocional, mas muito mais dor cívica para um povo que tem a paz, como preferida.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XV... Naquele ano de 1985, ano de violência extrema, durante a campanha política na escolha do primeiro prefeito desta terra e desta gente sem igual; algumas providências essenciais foram tomadas na busca de garantir a paz e a tranquilidade, bem como a justiça e o bom senso, durante o período político a se considerar normal. Além do cancelamento de mais de onze mil títulos de eleitores, apontados como fruto de fraude de um ou outro candidato a vereador ou a prefeito; a justiça coordenadora de todo o pleito municipal, pediu reforço federal, entendendo que as coisas poderiam se agravar com mais intensidade, quanto mais próximo ficasse a eleição e seus feitos. Tropas do Exército chegaram para trazer tranquilidade maior ao que todos ansiavam naquele momento histórico de nossa cidade; chegaram trazendo um ambiente de maior segurança para todos os candidatos, para todos os eleitores, um ambiente propício para a cidadania plena de toda municipalidade.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XVI... Naquele ano, ano das eleições, 1985, mesmo com todos os eventos com tanta violência, e até mortes em apelação; mesmo com ambiente desesperador para o momento cívico da nossa população; as eleições ocorrerão com muita tranquilidade, aconteceram com muita paz e com total participação. As forças federais presentes e garantindo a segurança, presentes e impedindo maiores abusos comuns nestes momentos de tanta euforia; vieram chamados para dar a tranquilidade necessária, o que aconteceu, exatamente como se gostaria. Chegou Novembro, todo mundo foi às urnas, pessoas foram eleitas, e tudo correu exemplarmente, e a primeira eleição da cidade se concretizou; foi um marco, foi um momento inusitado para a história de nossa gente, civilizadamente tomamos postura de cidade, o que se efetivou. O povoado tornou-se cidade, a garota tornou-se mocinha, seus primeiros passos de emancipação, e ela seguiu em frente em novo bordão.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XVII... Em 1985, no calor da emancipação, no ardor da eleição, com todos os eventos negativos ficados para trás, com as tropas federais presente em nossas ruas e nos nossos arraiais, a contagem dos votos transcorreu em clima de tranquilidade e emulações; é certo que houve muito rigor das autoridades, nas bocas de urnas, no local das contagens, afastando definitivamente todas as possíveis especulações. Timóteo Alves de Brito vence com doze mil e seiscentos e sessenta votos, e seus correligionários se desdobram em alegria e muita festa; e com o desenrolar apurado no final da campanha e no dia da votação, mesmo entre os perdedores lamentosos, nenhum candidato contesta. Chegou a emancipação, os dias de lutas estão no passado, nada mais a se esforçar neste sentido, o povoado agora é município feito; chegou a eleição, este momento foi bem contemplado, este ultimato já estava muito bem cumprido, o povo já escolhera o seu primeiro Prefeito.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XVIII... Em 1985, a emancipação, em seus primeiros momentos, no embalo de todas as suas festanças adornadas de política e sonhos de bons futuros ao povoado; não se tratou de independência somente para nós aqui, em nossos torrão, mas também, por vários motivos, às duas cidades mães, como pensam os, de tudo, bem lembrados. Ganhou Teixeira em seu novo passo de evolução, de crescimento, de história e de anseios quanto ao que gostaria de ser e fazer; mas, também, ganhou Alcobaça, ganhou Caravelas, ganhou a região, ganhou toda a gente, pois no papel de progresso, foi essencial o que cada cidade passou a exercer. Motivos políticos, sociais, de proeminência, rescaldos turísticos, e até por motivos de geografia; todos concordam no bem que a emancipação do grande povoado promoveu no correr do tempo nas gentes envolvidas na porfia; ou mesmo, as virtudes da viração chegaram até nas cidades onde ninguém desconfia.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XIX... Em 1985, no alge da emancipação, no coroamento de toda a luta que uniu e desuniu pessoas, no confronto dos confrontos entre as forças influentes; considera-se que entre os todos que saíram ganhando com o feito, dizem os analistas observadores, Alcobaça foi quem mais saiu em triunfo emergente. A pesar de aparente perda, mesmo no aspecto tributário, ou no número na de habitantes para as verbas federais; a nossa cidade vizinha, segundo os entendidos naquela época, ganhou muito com o advento da autonomia jurídica de Teixeira, com todas as suas dificuldades sociais. Estava posto o marco zero na história atrevida e geniosa de nossa região, incluindo a nova cidade em seus anais de evolução; estava estabelecido o favorável divisor de águas que mostrava Teixeira em sua nova margem, em sua nova pagem, sendo ela em sua pressa de avançar, sendo ela em sua vocação de alavancar, levar consigo toda uma região.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XX... São muitos os motivos mencionados para se acreditar que todos ganharam com a dita autonomia política que ao povoado chegou; mas há um outro motivo que os faladores mais afoitos e críticos sempre pronunciaram, o Prefeito de Alcobaça quase que morava e atendia em Teixeira de Freitas, o que acabou. A emancipação que movimentava a todos, trazia exigências que a nenhuma cidade vizinha se permitiu furtar, forçava cumprimentos que a todos contribuía por depurar; o povoado se tornaria cidade, se fortaleceria como o maior município para toda a região, aos menores, neste aprendizado circunstancial, caberia a busca do auto-ajustar. Prefeitos e Vereadores, políticos de todos os naipes, judiciário em todos os níveis, a uma, todos deveriam se formatizar em melhoramentos de suas funções; Teixeira vinha com seus sonhos, mas trazia consigo, para todos em toda vizinhança, novos ares, novas tendências, novos gestos de aptidões.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXI... Em 1986, no início do ano, foi dado posse ao novo e primeiro Prefeito da cidade de Teixeira de Freitas, numa festa memorável à história dessa gente lutadora e de visão; estava posto o fim do começo do historiado que nascera no sonho e trabalho de pioneiros que vieram voluntários ou trazidos por circunstâncias que enriqueceram uma região. No Country Clube Jacarandá ocorreram todos os cerimoniais jurídicos para a efetivação de um processo emancipatório que culminava com um Executivo e um Legislativo devidamente eleitos e aptos a exercerem seus dignos cargos; e assim foi, o primeiro momento dos muitos que a cidade viveria para chegar onde chegou, para crescer como cresceu, para ser o que é, com eleitos e população, cada um, dignificando os seus encargos. Agora, de verdade, nasce a Teixeira de Freitas cidade, com toda ferocidade, abrindo-se como uma grande cidade aberta a toda municipalidade.



A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXII... Desde antes de 1985, durante a campanha política, e logo depois de posse dos eleitos, uma das unanimidades mais comentadas e esperadas, era o fato de Teixeira de Freitas tornar-se a capital, em muitos ou todos os sentidos, do extremo sul da Bahia, ante as cidades e posição geográfica facilmente contempladas. Plantava-se naquela oportunidade, com a emancipação concretizada, com sua liderança política empossada, uma nova face para esta distante região, pelo Estado esquecida; plantava-se uma nova moldura política, cultural e social, totalmente efervescente, evidentemente emergente, como novo polo de ação estadual, em atenção merecida. Teixeira ganhava, toda a região ganhava, o Estado ganhava, o Brasil estava ganhando, a emancipação trazia um novo olhar político de todo os envolvido regional; a capital do Extremo Sul acontecia e fazia acontecer todo o contexto, o que consolidava sua hegemonia natural.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXIII... Nos tempos de autonomia municipal, uma das marcas de Teixeira de Freitas, em sua nova fase, era seu grande potencial agrícola a fundo; longos espaços já eram ocupados por plantações de mamão, de melancia, e outros produtos, cuja produção, promovia levas e levas de caminhões para todos os lados do mundo. Teixeira já nascia grande, poderosa, detentora de muita exportação quanto ao que plantava e produzia por todo o seu território, pelas muitas mãos que a manejava assim; a emancipação vinha para dar mais corda ao que já era orgulho de todos, os que plantavam com disposição, e os que consumia o fruto ou as consequências colhidas pelos afins. A emancipação veio e trouxe mais espaços a serem conquistados com tudo que já se conseguia na agricultura robusta que se via, e que fazia Teixeira em todos os cantos; riquezas estavam estampadas, fazendo nossa gente ser mais atraente em seus encantos.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXIV... Nos tempos da autonomia municipal, Teixeira já detinha títulos importantes em sua galeria de desenvolvimento e progresso real; com robustez de um território rico em nutrientes suficientes para produções intensas, em larga escala e de alta qualidade reconhecida pelo comércio internacional; a nova cidade já ostentava resultados da maior produtora de mamão-exportação do mundo, e de segundo polo graneleiro, na melhor estimativa estadual. Já nascia grande, uma cidade maior que muitas cidades antigas no Estado e no país; município aberto para tantos que ainda chegavam para seus investimentos, era tudo que o povo sempre quis. Anos se passaram com o enorme povoado sempre se mostrando imponente, sempre se mostrando interessado em crescer e levar consigo toda uma região; e assim que veio sua independência, não teve como conter esta dedicada confirmação; Teixeira não precisou nem ir atrás, o progresso chegou mais ainda, as oportunidades mais ainda, investidores mais ainda, e todo o convívio regional tem reconhecido o significado daquela necessária emancipação.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXV... A agricultura do município, depois daqueles dias, depois de 1986, sofreu reveses normais àquela alta produtividade do mamão nas suas carências; com a terra se cansando do volume que tanto produziu, e o mercado dando as diretrizes de suas exigências. Com isto, o polo do mamão se transferiu para outra região no Estado da Bahia; e hoje, vivemos outra realidade para a agricultura que ainda tem muito a oferecer, é a vez produtiva da melancia. Já há a festa para cristalizar esta cultura que já faz parte do cotidiano dos cidadãos, da vida financeira de todos nós que por aqui vivemos; a festa da melancia denota a importância desta atividade para o progresso de nossa gente, para o espírito de progresso que todos temos. Viva a melancia, cultura que tem tudo para ascender-se entre nós, entre nossas riquezas; a melancia é nosso feito agricultável, que abre horizontes para termos em Teixeira, outras tantas e fecundas belezas.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXVI... Muitos anos se passaram desde aquelas festas de independência, desde os cortejos triunfantes desta terra emancipada de vez; hoje podemos ver a agricultura que nos chegou e que hoje está construindo a Teixeira que marcha por seus caminhos de progresso, de muita determinação, e de muita intrepidez. Não somos mais o que éramos nos primeiros tempos de nossa autonomia, entre os primeiros de uma determinada cultura agricultável que nos deu forças extras para um começo viril; mas, agora, no futuro, temos outras lavouras, outros programas que nos fazem estar bem no que plantamos, temos uma posição invejável à grande parte do nosso Brasil. Temos a melancia, um plantio imenso, que tem dado muitas riquezas ao nosso povo, que tem nos recolocado no comércio dos estados do Sul e do Norte; temos o eucalipto que entre os reclames de uma e de outra parte, tem nos dado virtudes incomensuráveis, nos fazendo uma gente de produção forte.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXVII... Os moradores dos tempos da emancipação, têm facilidade de recordar, as festanças que ocorrerão naquela importantíssima ocasião; as festas religiosas, com as igrejas, de uma forma ou outra, participando, cada qual no seu cada qual, nas alegrias, cada uma fazendo, aos seus jeitos, a devida comemoração; as festas culturais, com muitos artistas mostrando seu empenho, vivendo os mesmos motivos populares, convertendo em arte, o momento histórico de toda aquela badalação; e a festa da cidade, a festa ao ar livre, quando todos, por alguns dias, vieram à praça, desfrutar da alegria que todos tinham, por estarem sendo o centro dos favores da emancipação. Foi uma festa de todos, foi uma grande festa, onde o povoado veio dar adeus ao passado de limites, o passado de sonhos, veio dar ponta pé aos novos tempos que amanhecia; a cidade acordava como cidade, acordava trazendo novos manejos para o futuro, como cidade, como bem lhe parecia.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXVIII... Depois das primeiras festas da cidade, comemorando aquelas lutas e vitórias pela independência do nosso município; outras festas vieram, outras comemorações chegaram, e o povo sempre esteve voltado àqueles dias de triunfo, aqueles dias de vibração cívica estampada no princípio. Vieram os Axés Teixeira, os Vivas Teixeira, e os Teixeiras Folia, vieram todas com nomes e marcas diferentes, denominações criativas e gastos festivos surpreendentes ao tempo; foram maneiras variadas de se fazer a mesma continência aos reais significados que a festa originária esteve a bradar e ao mundo contagiar por todo o inicial momento. A festa sempre foi a mesma, os motivos sempre foram os mesmos, e os fundadores sabem muito bem do que se trata ao se viver tanta euforia com a população na rua; a festa sempre será a mesma, com os mesmos motivos de antes, e os primeiros moradores sabem muito bem do que se grafa ao ver o povo no topo da lua.

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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXIX... O tempo passou, muitas festas vieram, muitos nomes e apelidos tentam denominar a alegria civil de nossa gente; mas, não tem jeito, a festança só tem um nome para todo mundo, não importa quando, não importa a nomenclatura que se está dando, só um nome, “festa da cidade”, é assim que a gente sente. Entra Maio e sai Maio, ano após ano, os feriados municipais daquele mês, é um só, á para um só, colocar o povo na rua para foguetear a tão sonhada emancipação; o que todo mundo pretende, é dar força aos novos para que continuem empenhados em festejar o que os mais velhos conseguiram com muita luta, e com muito coração. Tem sido muito fácil fazer isto acontecer, não só pelos rios de dinheiro pelo entretenimento badalador de todos os anos, não só isso para o que é a festa das festas do nosso povo egresso; mas pelo espírito guerreiro que ainda nos herancia o passado, nos fazendo continuadores do mesmo esforço de ver essa terra em seu pleno progresso.
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A EMANCIPAÇÃO DO POVOADO XXX... A emancipação estava nos anos de lutas por sua conquista, o povo às ruas e aos palanques cobrando isto de seus políticos engajados; a emancipação estava em 1985, ano da conquista, ano da primeira festa, ano dos comícios para a eleição que concretizaria o triunfo final, em todos, estampado; a emancipação estava na posse eufórica do primeiro Prefeito e sua Câmara de Vereadores, políticos que assumiram em um todo esperançoso e animado; emancipação, sim, que estava e tem estado, nas muitas festas que se sucederam, lembrando aquele dia de festa perpétua, que todos os anos nos faz relembrar aquele passado. Teixeira faz história, a cidade tem ido embora, levando consigo suas aspirações, fazendo seus bordões, construindo um espaço que só a ela pertence no seu futuro; Teixeira faz história, tem dado de si para uma região rica e formosa, com progressos e esperanças fogosas, jeitos ardis de trazer mais esperanças para este povo que sabe o que é dar duro.



Outubro 2014... O RIO ITANHÉM


Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM I... Há um rio que tem tudo a ver conosco, em ligações estreitas; o rio Itanhém, “Prato de Pedra” para os nativos; graças a ele “os pioneiros” chegaram à região que hoje está Teixeira de Freitas, graças a ele vinham atraídos por sua pujança e atrativos. Em sua longínqua história muito bem contada em graça, o rio supria falta de estradas que cruzassem a imensa e rica região, supria a ausência dos caminhos até a região de Alcobaça; importante e progressista cidade da nossa vizinhança, do nosso chão. Por volta de 1817, naquela difícil ocasião; quando o príncipe Maximiliano, da Alemanha, veio aos nossos pisos; navegava por este nosso formoso rio anfitrião; observou a presença de nativos, a riqueza natural da região e negros escravizados festeiros trabalhando como canoeiros. Desde o início, o rio tem sido nosso belíssimo cartão postal; tem sido também os melhores caminhos para chegar a nós; nos apresentando aos trazidos por Cabral; nos dando acesso ao mundo logo após.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM II... Na carta topográfica do Mucuri e além; mapa de 1859 em seus dias; registros que mostram a região do vale do Itanhém; naquele final de década arredia. Informa ela, que, onde hoje está a cidade de Teixeira; não havia, “trelas” nativos habitando em clareiras. Há, também, registros naquele mapa; de algumas tribos ao longo do rio; na altura das terras mineiras “in lapa”; informações completas com pouco perfil. A carta topográfica que, a região, abraça, gravura o conteúdo de seus registros; o rio é identificado pelo seu topônimo Alcobaça; um território de riquezas e sinistros. Até a década de 1950; andar ou chegar ao território que hoje é Teixeira de Freitas; era uma tarefa difícil e demorenta; eram espaços fechados, um mata muito estreita. Coberta pela floresta atlântica frondosa; matas e brejos que se faziam tapumes; só era possível alcançar o vale através de trilhas perigosas; por dentre as brenhas e os cumes; ou, melhor, pelas águas navegáveis e receosas; dos aprumes, no nosso rio Itanhém.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM III... Não muito tempo atrás, pelas décadas da primeira parte do século passado; navegação era á primeira e principal opção dos moradores das pequenas comunidades rurais em nossa região; o rio era como muleta boa, a ajuda mais fluente disponível para qualquer pessoa; o rio era a estrada em plano, na falta de estradas para o comércio interiorano. O meio de transporte para todo carregamento de gente ou mercadoria, de mudanças ou outras necessidades que se teria, as canoas eram o jeito mais utilizado pessoal; eram elas que percorriam toda extensão do rio até a cidade de Alcobaça no litoral. Esse papel, o rio fez muito bem, a canoa fez também, e, mesmo em muitas limitações que sofriam as populações; havia, de gente e coisas, de um lado para outro, uma intensa circulação; trazendo e promovendo o desenvolvimento de cada canto de nossa imensa região. As pessoas sabiam, muito bem, fazendeiros ou não, de todas as idades; utilizar do rio e das canoas, para fazerem suas vidas acontecerem sem maiores dificuldades.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM IV... Antes dos anos sessenta, no vívido século passado; olhos para conhecer Teixeira, se atenta; fica cauto ao que lhe é registrado; a rotina daqueles tempos; em que o rio era a melhor opção para chegar ao litoral; prevalece marcada nas lembranças de antigos moradores com seus eventos; muitos que cresceram na região, na área rural; nestes lugares de muitos proventos; que hoje fazem parte deste nosso amado espaço municipal. Na década de 1950, no que nos é instruído; o rio, como tantos e tantos por aí; não era o que consideramos poluído; e havia expressiva variedade de peixes e outros tipos de vidas afins. Viviam e cuidavam desses territórios naturais; diversas famílias negras sem desvarios; eram distribuídas por várias propriedades rurais; habitavam ao longo do percurso do rio; como era o caso da fazenda Nova América. Assim, com muito orgulho e presteza; podemos afirmar com calentura; que nós, os índios expulsos de nossas terras, com dureza; fomos substituídos por nós, os negros, com brandura.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM V... A Bahia, por volta de 1950, no seu mapa provinciano; era um Estado agrícola parcial; a capital, Salvador, era uma metrópole de vasto espaço inurbano; e, ao mesmo tempo, pobre no seu mundo rural. Revelava, assim, essa fraqueza inóspita e a se impetrar; e também se fazia responsável pelo atraso de outras regiões rurais em sua incapacidade de se modernizar. Até meados do século XX; o extremo sul, onde hoje está nossa cidade querida; era o lugar na qual existiam homens de sonho e requinte; nomes determinados e livres em livre terra enriquecida; lugar que oferecia, a todos, vastas vantagens; sem preocupações recorrentes a outras paragens. Éramos uma sociedade emergente de pequenos produtores sem intrâncias; de posseiros tomados pelo anseio de apenas viver sem tantas extravagâncias; ou de camponeses afastados das correrias das cidades e pescadores atendidos por toda miséria e diversidade; todos que viviam da produção familiar para o consumo dos seus ou de um comércio de amenidades.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM VI... Segundo testemunhos da década distante de 1950; muitos dos moradores das fazendas, nesta nossa região; viviam vida modesta baseada na agricultura que suas propriedades se fizessem farturenta; e também da pesca rica que o rio podia oferecer do seu pregão. Dedicavam-se também à pequena pecuária; até onde se podia ir com o gado que possuíam; à criação de galinha, muitas vezes para a deglutição ordinária; e o comércio pelas feiras livres das redondezas, por onde iam. Além disso, quase todos criavam animais de transporte, como jegues em um número maior; mulas em número menor; e alguns poucos cavalos. Os porcos eram criados muito inadequadamente; para serem comerciados na cidade de Alcobaça; eram vendidos nos dias apropriados para o comércio de rua, estritamente; depois de levados de canoa pelo rio, com mordaça; e, na maioria das vezes para muitos criadores de então, levados por pequenas trilhas pela mata em um dia inteiro de viagem, cortando a região.

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O RIO ITANHÉM VII... O peixe, nas muitas variedades daquele tempo; fazia parte da dieta das comunidades rurais; não só em nossa região e nosso acento; como em outras tantas além dos murais. Na fazenda Nova América; a exemplo de muitas outras que existiam ou estavam se formando no mesmo porte; a captura de peixes no rio era realizada na breca; em todo o tempo, e indiscriminadamente, na sorte; sem nenhum critério, cautela ou acepção de merreca. Porém em setembro e outubro de todo ano, o dilema; a pesca mudava a rotina geral em caquete; porque era o tempo da primeira Piracema; chamada, pelos pescadores, de “Ripiquete”. Até a década de 1960; o período da piracema era festejado por todos; era um motivo a mais para fazer esquenta. O nosso rio era convite aos de fora, e alegria aos de dentro da nossa bairrança; nos levava embora, e era quem alimentava os de dentro com muita festança; levava o que éramos a bem do mundo, e trazia o que de lá, nos faria, para lá, fecundos .

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O RIO ITANHÉM VIII... Na piracema do cio, quando os peixes estavam agitados e aglomerados por todo o percurso do rio; vinham pessoas das matas, dos povoados distantes ou não; vinham de Santo Antônio, Lavra, Pichichica, fazenda Cascata e outros tantos cantos de nossa região. Vinham pescar durante dois dias nas águas fartas. Mais ou menos cinquenta a cem pessoas, participavam da pescaria de três meses não consecutivos, muitos em suas barcas. O primeiro Ripiquete no rio Itanhém ocorria no mês das águas, entre setembro e outubro. O segundo Ripiquete, acontecia durante a cheia de Natal. E o último ripiquete entre março e abril, no tempo turvo. Nestes meses se pescava peixes como, entre outros, Crumatã, Piabinha, Piau. A região tinha, ainda, muitos limites para uma boa comodidade de seus habitantes; mas, em contrapartida, possuía muitas riquezas compensatórias que fazia com que todos convivessem e se desfrutassem mutuamente; uns ajudando os restantes, superando as dificuldades prementes.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM IX... Nas festanças dos ripiquetes anuais, pelos anos de 1950, no mês de maio se pescava quantidades colossais; deixava todos os envolvidos em cestos que se arrebenta. Capturava-se, entre outros, peixes como, Sabanga pequeno, Judeu, e Mandi. Testemunhos dizem que a quantidade de peixe pescado era grande demais por aqui; então, se salgava e secava no sol e guardava para, durante o ano, o consumo em fim. Da mesma forma, o peixe fresco, para consumo da semana, era colocado em palha de bananeira. A ova do peixe, chamada caviar, era salgado ou torrado e guardado na partileira; quando precisava alimentar batia-se no pilão e fazia a moqueca em passoqueira. No caso do peixe Mandi, diz testemunhas, tinha-se que secar no sol ou nos fornos em oca; para ser consumido durante a colheita do café, misturado com dendê e farinha de mandioca. Durante o ano, era fartura para famílias de toda a região; motivo de festa para sempre se encontrarem às margens do rio em nosso rincão.

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O RIO ITANHÉM X... Nos Anos que se passaram; o rio sempre serviu para enriquecimento das terras e plantações; para o transporte das gentes e das coisas que precisaram; para a pescaria das muitas variedades de peixes aos montões; e para as necessidades das famílias ribeirinhas ou não, que nele se refugiaram. No rio, as lavadeiras utilizavam as águas para lavar as roupas, vasilhas e os pertences caseiros; para o banho delas, dos filhos e da família caso houvesse um ribeiro próximo e maloqueiro. Para o consumo das famílias no certo; água de beber, era de qualquer nascente que estivesse por perto. O rio fazia parte da vida de cada chão, mesmo das casas que não fossem tão perto nele. Era o fator de integração para toda a região, as cidades e povoados ganhavam muito pela existência dele; que corria indistinto, sem parar; integrando-se com outros rios, até chegar ao mar. Até hoje, para boas particularidades, o rio guarda marcas deste tempos de grande importância para todas as comunidades.

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O RIO ITANHÉM XI... Em 1968, em seu correr cotidiano; o rio tomou uma proporção que jamais será esquecido. Inundando cidades do Noroeste mineiro e do extremo sul baiano; a grande enchente causou diversos transtornos e peitas, com nada parecido; à cidade de Medeiros Neto e ao povoado de Teixeira de Freitas. Naquele tempo e por causa das proporções da enchente; quatro mil pessoas ficaram desabrigadas com o repente; por ter atingido muitas cidades sem prontidão; municípios no vale do Jequitinhonha; e também, lugares em nossa região; cidades e povoados próximos à fronteira nesta peçonha. A fúria do rio, entre nós, provocou apavorante destruição; atingiu Medeiros Netos, Itanhém, e Alcobaça; atingiu a zona rural do povoado de Teixeira de Freitas com toda sua plantação; causando danos a infra-estrutura local com muita ameaça. A grande enchente veio e fez seu enorme estrago; e por alguns meses, as cidades sofreram para se reorganizarem dos prejuízos daquele mal afago.

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O RIO ITANHÉM XII... Aquela grande enchente de 1968, que não foi só na nossa região; tomou contar dos noticiários de jornais de todo o país. Bahia e Minas Gerais ficaram irmanados pelo sofrimento da população; pela busca de socorros e soluções que se quis; e pelas informações que cobriram todos os demais Estados vizinhos ou não. Juntos, por tudo aquilo, os governos municipais, estaduais e nacional; eles se mobilizaram, como puderam, irmanados, de muitas formas; para atender à contingência de necessidades que brotaram por todos os lados nas áreas atingidas pelo longo temporal. Nossa extensa e bela região, em especial; foi muito bem levada, em seus problemas, por todas as notícias vinculadas às tragédias que se sucediam; tragédias originadas na invasão do rio por todas as suas margens e beiral. Simplesmente, o rio, saiu de seu leito e veio produzir vítimas com sua agressão atemporal; gentes não acostumadas a tudo aquilo de um rio invasor por todos os lados de sua jornada natural.

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O RIO ITANHÉM XIII... Na grande enchente de 1968; mais de 500 casas foram totalmente destruídas; 5 mil pessoas desabrigadas pelo afoito; tarefas telefônicas e de urbanização obstruídas; lavouras em esgoto e a quantidade de mortos ainda não concluída. Este foi o balanço da catástrofe que se abateu sobre os municípios em nossa região. Medeiros Neto foi parcialmente destruída pelas águas daquele rojão; águas que subiram 6 metros acima de seu nível normal; embora a cidade não tenha visto nenhum temporal. Quando a região mineira do Jequitinhonha foi inundada; a cidade sofreu os efeitos da tromba d´água; e, como o rio divide a cidade em duas partes, a destruição alcançou grandes proporções, remexeu baluartes. Aqueles momentos foram inesquecíveis, até o hoje em dia; não só para aquela cidade amada e contígua de nossa Teixeira; mas, também, para a nossa região inteira. Solidários com a dor dos conterrâneos, participamos nas ajudas que receberam naquela situação rasteira.

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O RIO ITANHÉM XIV... Na catástrofe de 1968, que nos abateu; com o grande transbordamento do rio, por seus percurso imparciais; mais de 520 casas foram totalmente destruídas, tudo soverteu; inclusive edifícios públicos e lojas comerciais; trazendo grandes prejuízos aos municípios e suas gentes; deixando um terço da população, com famílias, ao desabrigo carente. Além da nossa querida vizinha Medeiros Neto, que foi muito prejudicada; também a nossa mãe, Alcobaça, foi bastante atingida pela enorme enxurrada. As duas cidades foram como fronteira medonha; com a região do Vale do Jequitinhonha. Pelo rio Alcobaça, nos dois municípios, foram 14 pontes destruídas completamente; e 120 casas derrubadas ao chão; o que representou um prejuízo estimado de em mais de 1 milhão de “Cruzeiros Novos” recentes; esta notícia varreu o país nos principais meios de comunicação. O Brasil todo passou a ter atenções, de alguma forma, conosco; com nosso choro, dores e preocupações.

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O RIO ITANHÉM XV... Naquele 1968, todas as cidades no caminho do nosso rio pereceram; bem como todo o trajeto de propriedades na região; tudo e todos que sempre se beneficiaram das riquezas que as águas sempre ofereceram, estavam agora jogados na mesma situação; de penúria, de desencanto, de frustração e prejuízos, os municípios feneceram; inclusive de vidas animais e humanas em contra-mão. Assim foram outros rios ligados ou não ao Itanhém. Estas informações chegavam a toda nação; e todo dia, naqueles dias, novas notícias, alarmava mais ainda, o que estava acontecendo em nossa região. Para o Brasil, o que maltratava Medeiros Neto era o retrato fiel do que afligia toda a região extremo sul da Bahia; e, o que acontecia no Vale do Jequitinhonha e mais, era o retrato do que se sofria na região próxima, já nas Minas Gerais. Uma das notícias afirmava que a FAB, força aérea Brasileira, socorreria os milhares desabrigados de Minas e Bahia. Esse foi um calvário que nunca mais se veria.

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O RIO ITANHÉM XVI... Naquele 1968 muito triste nos anais; o serviço de busca e salvamento da FAB, é o que se diz; recebeu comunicado da secretaria de saúde de Minas Gerais; informando que duas mil pessoas estavam isoladas em Machacalis. Corria a informação que tudo havia se agravado com a enchente em Medeiros Neto. Subira a mais de cinco mil, as pessoas desabrigadas em todo o trabuco. As primeiras providências do socorro às vítimas naquele desafeto; foram tomadas pela equipe de salvamento vindo do Recife em Pernambuco. Havia sido montado um posto avançado no aeroporto em Caravelas; de onde partiam as missões de socorro abrangência. O objetivo era levar ás famílias desabrigadas nas querelas: os necessários remédios e soros pedidos com urgência. Era uma catástrofe somente; não só para quem ouvia tais informes do que havia; não só para quem se mobilizava nas ajudas necessárias e urgentes; mas, para tantos que sofria diretamente, tudo que acontecia.

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O RIO ITANHÉM XVII... Em 1968, no quase natal; os jornais noticiaram que a febre tifoide era algo novo em todo o transtorno; uma doença infectocontagiosa na água doental; que ameaçava as cidades atingidas pela grande enchente em seu contorno. Naquele momento da catástrofe, onde havia; a febre tifoide, em novo e grave perigo se constituiu; ameaçando o Vale do Jequitinhonha e a Bahia. Em Minas Gerais era fato que a secretaria de Agricultura já admitiu. O número de pessoas atacadas pela enfermidade aumentou em ritmo alarmante. Assim, aumentava todas as preocupações; o incidente natural estava preocupante a partir daquelas inundações. As gentes que já estavam em perigo e abandono, desabrigadas e carentes, triplicaram suas necessidades, quando esta enfermidade passou a fazer parte de seus sofrimentos. O rio de tantas alegrias e sustento, agora era o grande vilão, o responsável por tantas dificuldades com aqueles que viviam o tormento, de toda aquela dor e escuridão.

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O RIO ITANHÉM XVIII... No Final de 1968, na grande enchente que não perdoou ninguém; cinquenta mil doses de vacina se esgotaram sobre os municípios baianos de Medeiros Neto, Alcobaça e Itanhém. Não se encontravam informações pormenorizadas relativas à situação regional; tudo indicando que os prejuízos foram vultosos para aquele tempo de então; já que os rios Alcobaça e Itanhém foram a níveis muito superiores ao normal, em toda a região. Segundo mais informações sobre os flagelos conturbados; com estradas isoladas e destruídas plantações; a fome também perturbava o sono dos desabrigados; o que levou entidades a providenciar muitas doações. É digno de nota, na busca de afeto; a mobilização nacional para ajudar as cidades atingidas; mencionavam a situação caótica de Medeiros Neto; como alvo da campanha para as populações sofridas. Foi um desastre total que se abateu sobre a nossa rica região; todos, de alguma forma, estavam sucumbidos ante tanta desolação.

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O RIO ITANHÉM XIX... Em Dezembro de 1968, nos dias tais; quando da grande enchente nos rios de nossa região; os novos advogados da Faculdade Federal de Direito, em Minas Gerais; decidiram fazer uma campanha, por toda a nação; em favor das vítimas das enchentes nas cidades de Machacalis e Medeiros Neto e suas gentes. A razão da campanha, é que as populações estavam sem ajuda abrangente dos órgãos governamentais na região. A fome estava alastrada e ameaçava dizimar nas cidades, a população. Na Bahia, a maioria dos atingidos, vivia no campo a sua dor; e o extremo sul, em sua gravidade particular, ainda não tinha contato terrestre com a capital Salvador. Outro fato que chama atenção; é a vulnerabilidade dos municípios em suas infra-estrutura; a fragilidade dos pequenos agricultores ou pouseiros quando acuados pela fome e doenças de então; e, principalmente, do socorro governamental, não eficiente, diante de um acontecimento inesperado como aquele, como postura.

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O RIO ITANHÉM XX... Naqueles anos de 1960 por aqui; em nossa região; a realidade sofrida pelo pouseiro e pelo pequeno proprietário era assim: bastava um período de colheita ruim; ou porque choveu pouco, menos que o esperado e não molhou o chão; ou porque choveu demais, além do que se carecia, e encharcou o torrão; ou porque a seca veio braba, sem respeitar ninguém; ou outros motivos semelhantes, fora do esperado por alguém; para romper aquele equilíbrio tão precário entre as necessidades vitais da população e a quantidade de alimentos com sua produção. No povoado de Teixeira de Freitas, em particular, diante de tudo aquilo de então; não foram grandes os desastres pessoais, comparado aos tormentos sofridos ao nosso redor; mas foram expressivos os prejuízos materiais sofridos na ocasião. O que faz com que, até hoje, moradores relacionem a queda de pontes e acidentes fatais naqueles momentos, o que for pior; tudo culpa real daquela grande cheia de 1968.

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O RIO ITANHÉM XXI... A enchente do rio Itanhém, naquele sonha; em 1968, no fim daquele ano; atingiu algumas cidades do estado de Minas Gerais, no vale do Jequitinhonha; e alguns municípios do extremo sul baiano. Em Teixeira de Freitas, suas populações desamparadas; a cheia deixou diversas lamúrias parecidas; como, estradas bloqueadas; pontes e plantações destruídas. Hoje, é essencial que relatos sejam preservados; fatos de tudo que aconteceu; pelas gerações futuras acessados; para que se previnam e cresçam no que se sofreu. Bahia e Minas Gerais se confraternizaram na mesma dor, Teixeira e região se irmanaram no mesmo odor, no mesmo refrão, como se todos estivessem entrelaçados para viver e enfrentar o grande vilão. Foi o rio, junto com outros; pedindo passagem para o pesado golpe que a natureza lhe providenciava naquele então. Mesmo com menos prejuízos que nos abateram; todos nós sofremos com o que nossos conterrâneos, em outros cantos, sofreram.

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O RIO ITANHÉM XXII... A primeira ponte sobre o rio, nesta parte da nossa região; foi erguida na década de 1950, e precisou de muita disposição; erigida por Quincas Neto, da Fazenda Cascata, em parceria com o prefeito de Alcobaça; o muito amigo , Antônio Simplício de Barros, com grossa e forte madeira em mordaça. Depois de facilitar, em muito, por algum bom tempo, o acesso ao litoral; a ponte foi destruída no início da década de 1960, por uma forte enchente temporal. A ponte, naquele tempo, suportou, muito bem, a força da água; mas não a chamada Baronesa, camada de vegetação; que se acumulou sobre as bases de madeira, em anágua; não suportando, da força da corrente, toda a pressão. No lugar daquela ponte, uma segunda de concreto foi construída pelo DERBA; Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia, o primeiro órgão público que o povoado Teixeira de Freitas tinha. Era assim que o rio estava sempre surpreendendo com o que dele corria.

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O RIO ITANHÉM XXIII... A segunda ponte, já em concreto, pelo Derba construída; teve destino igual ao da primeira, em madeira que fora destruída; teve a estrutura levada pelas águas do rio Itanhém em 1968; junto com a crença de que a modernidade e o conhecimento avançado dos engenheiros domariam a natureza selvagem do rio afoito. Por um bom tempo, o já precário tráfego em nossa região;. ficou totalmente prejudicado com aquele contratempo; forçando todos a buscarem a travessia pelo antigo canoão. Naquela enchente, em 68, afluída; o grande o volume da água não assustava os canoeiros a remar, pelo rio, acostumados; mas os carros dependentes da ponte destruída; a seguirem seus destinos, ficaram impossibilitados. Afim de amenizar os transtornos acumulados; uma balsa foi providenciada para fazer a travessia de pessoas e carros em traslados. Tempos demorou para que isto acontecesse, e tempos demorou para que isto mudasse, e à normalidade de uma ponte favorecesse.

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O RIO ITANHÉM XXIV... Da enchente do rio em 1968 por então; quando o mundo todo parecia que em água, ia se acabar, pelo menos para os moradores de nossa região; com todos os transtornos que os fazia chorar; os sofrimentos das famílias pelas cidades; principalmente o município de Medeiros Neto e seus abrangidos; somando as doenças e os desconfortos muito além das amenidades; a falta de socorro suficiente e a fome para muitos atingidos. Não pararam por ai, os estragos; os moradores ribeirinhos, que eram numa grande quantidade por toda a região; também sofreram com a avalanche de prejuízos, por todos, aguentado; tiveram que se deslocar das margens do rio e do seu pão; para os mais variados cantos possíveis e em condição de recebe-los naquelas asneiras; para não serem engolidos, e até mortos, pelo grande volume de água que vinha de surpresa das terras mineiras. Todos sofremos naquela ocasião; ninguém ficou de fora, ninguém pode ir embora, ficando imune de toda situação.

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O RIO ITANHÉM XXV... Em 1968, no final daquele trágico ano; Teixeira de Freitas saiu completa de todo seu cotidiano; a enchente exigiu o que o povoado não tinha; pois naquela proporção regional; inundou a estrada da “Prainha”; invadindo grandes espaços no matagal. Os moradores atingidos pelos estragos das emendas; foram obrigados a mudar para as partes mais altas das fazendas. Naquele ano, para todos, entristecido; pelas águas, não houve, no povoado, mortes ou algo parecido; o que se via era muitos animais boiando nas enxurradas; móveis e muita vegetação do rio, como Baronesas sendo arrastadas. Naquela época trabalhava-se na BR-101, na construção da ponte sobre o rio exagerado; estrada nacional que estava sendo construída e passava pelo grande povoado. No final daquele ano, a ponte já estava pela metade; e assim como aquela da Fazenda Cascata; foi destruída pela pressão da enchente em sua destruidora vontade. A tormenta transformou as terras divididas, perante as águas, em uma enorme sucata.

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O RIO ITANHÉM XXVI... Em 1968, no ano sofrido, daquela grande enchente; o rio inundou muitas e muitas roças ricas de cacau; também inundou, sem dó, outras agriculturas emergentes; deixando, aos proprietários, um enorme prejuízo mau. A destruição, na Cascata, da sua ponte pronta; e a meia ponte, na BR 101, em construção; bem como a destruição das muitas lavouras no afronta; não foram as grandes perdas observadas e lembradas, na ocasião: Uma Rural caiu no rio durante a travessia; quando feita na balsa daquele momento; ela não suportou o peso que o automóvel oferecia; e virou sem, aos passageiros, dar tempo. O triste acidente vivido no sarro; vitimou três crianças e uma mulher que viajavam no carro. A tragédia aconteceu no local onde havia a ponte da fazenda Cascata; e foi causado pela exagerada cheia do rio ondulante; pois assim que ponte ali, foi levada pela enchente caricata; providenciaram, de imediato, a balsa chamada, pelos populares, de “flutuante”.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM XXVII... Em 1968, com a grande enchente marcando o ano; na enxurrada, era possível ver móveis diversos e animais mortos pelo rio, passando; foi a maior cheia que já se presenciou; foi a maior tortura que já se viu, por aqui, no que se articulou. Conta-se que uma pessoa foi puxado pelas águas por duas léguas, até que conseguiu agarrar em galhos dos matos e se salvou daquelas pregas. O acidente na balsa, com as mortes na Rural; deixou todo mundo assustado com o que soubera; era porque em registros, em situações semelhantes, natural; ninguém, na região, tinha o costume de ver aquelas coisas ou quem dera. Os desastres não foram maiores na ocasião; porque um helicóptero da Força Aérea Brasileira; passou voando baixinho sobre a situação; orientando, com auto-falantes, para os ribeirinhos saírem das margens rasteiras; porque muita água ainda estava por vir; porque muita catástrofe ainda estava por advir, com quem teimasse permanecer por ali.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM XXVIII... Em 1968, em nossa história, naquela grande enchente; a tragédia das mortes na Rural que atravessava o rio, na Flutuante; repercutiu no povoado de Teixeira de Freitas, demasiadamente; pois vitimou três crianças que viajavam com o pai que escapou da situação frustrante. A febre tifoide que proliferou por causa da ingestão de água contaminada; ameaçou as cidades atingidas por toda a degradante enxurrada. Não houve aumento alarmante de casos de febre tifo, como seria normal; pois na vida da população ribeirinha, esta já fazia parte da rotina local. Mas, o grande problema assustador, foi o exagerado aumento da febre “sezão”; era assim, conhecida, a malária e suas consequências, o que foi novidade por esta nossa região. Os governos estaduais e federal se desdobraram para atender, também, esta dificuldade; usando, muito bem, os serviços da Força Aérea Brasileira nos deslocamentos necessários por todas as atingidas localidades.

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM XXIX... Nos anos anteriores a 1968, mesmo em falas precárias; em nossa região, sempre houve registros da febre tifóide e malária. As pessoas, normalmente, tratavam a tifo com Chá de Cipó Parreira e goma de Maria do sol; a malária, em si, só, era tratada com Chá de Quina Amarela, uma madeira de cor rosa ou amarela. Na lembrança de todos que conheceram tudo antes e depois do grande chuveiro profano; outras tragédias deixaram marcas, mas nenhuma se compara com a daquele ano. Para muitos, entre os religiosos e até entre os ateus; aquele tipo de castigo ocorre devido a desobediência do homem com as coisas de Deus; como foi o caso de uma provocada pelo deboche de um morador do Rancho Queimado; que colocou uma moeda de um mil Réis no caixão de um velho senhor que havia morrido prostrado. Tinha que ser castigo geral; pois todo mundo foi alcançado, ninguém ficou de fora; foi uma grande e poderosa intervenção divinal

Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RITO ITANHÉM XXX... Em 1969, depois da grande enchente; o medo e o pavor tomou conta da região; o susto passou a fazer parte do cotidiano da nossa gente, nas cidades, e ribeirinhos de então. Qualquer chuva, por menos prolongada que fosse, dava pavor ás populações; deixava todas as autoridades em sobre alerta; fazia com que todos se envolvessem na preocupação das povoações, sabendo que o mal que atingisse um, seria o mal que atingiria a todos, na certa. A catástrofe que abateu a história de nossa gente; foi suficiente para nos deixar mais envolvidos com a terra e mais; mais desejosos do bem para todos contentes; nos deixou mais irmãos, nos deixou mais humanos e fraternais. Depois daquele grande mar; ainda houve muita chuva; ainda houve muitos temporais a nos lembrar aquele momento de tristeza geral; mas nada se pode comparar com tudo aquilo que nos envolveu a todos, quando o céu caiu sobre a população de nossa terra natal.
Foto de Jônatas David Brandão Mota.

O RIO ITANHÉM XXXI... Em 1968, no final do ano, a enchente se foi, as águas baixaram, as tormentas brandaram, e a enchente se foi. Um grande e melancólico alento e alívio desceu sobre os medos de todos, um grande descanso de alma chegou a todas as famílias, a todas as gentes, a todos os todos. A região respirou aliviada, o sofrimento tomou outra enseada, e as populações voltaram aos seus cotidianos, o rio voltou a ser amigo encantado de todo mundo, como era antes dele sair do seu leito profundo, mostrando seu lado alegre e sustentável. As chuvas foram para o passado, as dores e sofrimentos foram afastados, e todo mundo voltou a ser feliz. Minas Gerais e Bahia voltaram aos seus perfis, as ajudas e socorros voltaram ao matiz, e as reconstruções voltaram aos procedimentos como se nada tivesse acontecido, como se nada daquilo tudo voltasse a acontecer aos apercebidos. A enchente foi embora, a vida voltou ao normal, o rio assumiu seu papel de sempre, o rio voltou ao seu natural. Outras enchentes aconteceram, como outras muitas, antes, aconteceram também, mas aquela foi somente ela, única, a enchente das enchentes que veio do aquém.